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PALEONTOLOGIA II
Achado anterior foi datado em 350 milhões de anos

O mais antigo âmbar que havia sido encontrado no mundo antes da descoberta do Piauí tem 350 milhões de anos. A resina fóssil, do Período Carbonífero da Era Paleozóica, foi encontrada na Europa e é atribuída a plantas gimnospermas, aquelas que não possuem flores, a exemplo dos pinheiros.

No Brasil, o âmbar que era considerado mais antigo é do mesmo período, mas pertence a uma formação geológica de aproximadamente 310 milhões de anos. Ele estava em rochas sedimentares da Bacia do Parnaíba, também no Piauí.

A paleontóloga da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Somália Viana explica que o âmbar é mais freqüente no Período Triássico da Era Mesozóica, ou seja, há cerca de 250 milhões de anos. No Brasil, ele é mais abundante no Período Cretáceo (cerca de 120 milhões de anos), nas bacias do Amazonas, Araripe, Parnaíba e recôncavo. “Mas também ocorrem em rochas terciárias, com cerca de 23 milhões de anos, da Formação Pirabas, no Pará”, afirma.

As resinas que dão origem ao âmbar são uma estratégia das plantas para se proteger da ação dos fungos, bactérias, insetos e outros organismos. Também chamadas de exsudatos, são produzidas pelas plantas atuais, com ou sem flores. “O âmbar é o resultado da transformação das resinas que foram soterradas”, afirma a pesquisadora.

Somália explica que, em contato com o ar, as resinas sofrem polimerização e endurecem. Quando têm forma de disco, como o encontrado recentemente no Piauí, geralmente se originaram do interior da árvore ou sofreram um achatamento ao cair, em forma de gotas, sobre o solo.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.11.2001
Domingo