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CRISE ECONÔMICA
Taxa de risco da Argentina ultrapassa 3.000 pontos

BUENOS AIRES – Exatamente oito meses depois de ter tomado posse como ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, assistiu a uma jornada sombria, na qual os mercados aumentaram mais ainda sua desconfiança sobre a Argentina, e fizeram a taxa de risco-país ultrapassar a faixa de 3.000 pontos, chegando a 3.086 pontos, ou seja, 80 pontos a mais do que em relação à véspera.

Quando Cavallo tomou posse, como el salvador de la patria, no dia 20 de março, a taxa de risco estava em apenas 886 pontos. A Bolsa de Buenos Aires acompanhou as turbulências dos mercados, e terminou a jornada despencando 6,08%.

O aniversário da posse teve outro toque amargo, com a renúncia de um de seus mais fiéis colaboradores, o secretário de Política Econômica, Federico Sturzenegger. A saída de Sturzenegger foi explicada oficialmente como causada por questões pessoais e acadêmicas. No entanto, extra-oficialmente afirma-se que sua renúncia foi motivada por divergências em relação à operação de reestruturação da dívida.

Duas semanas atrás, pelo mesmo motivo, renunciou o sub-secretário de Finanças, Julio Dreizzen. Além de Sturzenegger renunciou o secretário de Modernização do Estado, Marcos Makón.

Na véspera, no fim da noite, durante um jantar com os representantes da Fundação Invertir, Cavallo havia declarado com uma crueza pouco freqüente que o país está à beira do abismo e que os momentos atuais são cruciais.

Horas antes, diante de outro grupo de empresários e economistas, havia admitido que não seria possível cumprir a meta de déficit fiscal 0%, exigida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), além de ser considerada como condição sine qua non pelos mercados para que recuperam a confiança na Argentina.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira