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Quando tamanho não é documento mesmo

A indústria de confecções Vagamundo conseguiu consolidar sua marca com um pequeno investimento em publicidade. Ao longo de 20 anos transformou-se numa das marcas prediletas do público. Hoje está concentrando seus esforços diretamente nos produtos

A inspiração eles foram buscar no personagem Carlitos. Queriam transmitir um espírito de andarilho que viaja o mundo com liberdade. A Vagamundo, marca de roupas dedicada sobretudo à moda masculina, nasceu na década de 80 e, como referência iconográfica, tomou o chapeuzinho de Chaplin emprestado. O fato é que durante mais de 20 anos pouco se investiu na publicidade dessa marca que, mesmo assim, a custo de trabalho e investimento em qualidade, teve seu nome consolidado no segmento.

“Carlitos foi o ‘vagamundo’ mais famoso que já existiu”, arrisca a diretora administrativa e industrial Kilza Queiroz sobre as referências que foram pesquisadas por seu irmão, Fred Queiroz, no começo da empresa. Ele, que responde pela direção financeira, sugeriu logo o slogan “Liberdade para todos os movimentos” que durante anos seguiu forte. Curiosamente, em duas décadas de trabalho, a empresa colocou no ar apenas uma campanha de TV – e mesmo assim rapidamente.

No mais, alguns comerciais de rádio (notadamente no horário de pique das FM’s, entre 18h e 19h) e também patrocínios. O segredo do sucesso? Segundo os próprios fundadores, é o investimento em uma moda própria, na verdade, mais conceitual do que o acampanhamento das tendências vigentes.

Respondem por isso uma preocupação com acabamento tecidos apropriados para o clima (entre eles o algodão) e os cortes e recortes das roupas. São propostas peças mais largas – que dão as ‘liberdades de movimento...’ – em mais de uma tonalidade dentro do mesmo tecido. Nunca é sugerido nada muito justinho nas cerca de 3 mil peças produzidas mensalmente.

Para Fred e Kilza – e mais uma irmã, Kátia Queiroz, responsável pelo estilo e criação – a Vagamundo é reconhecida pela qualidade do produto que apresenta. Isso reflete diretamente na vida útil das roupas: “Há pessoas que chegam na loja e comentam que ainda têm peças nossas que compraram há mais de 10 anos”, lembra Kilza.

Mesmo produzindo em escala, a tendência nunca foi ‘massificar’. Explica-se: mantido até hoje, o lema da empresa que é basicamente familiar, é conservar o espírito artesanal na produção de um número maior de peças. A fábrica, que nasceu no nº 252 da Hora e lá permanece, começou com quatro costureiras orientadas de perto por Dona Elza, mãe dos três irmãos que hoje administram a Vagamundo.

Pois bem, o cliente dessa marca procura justamente esse espírito artesanal, bem feito. E no seu caso, a melhor ‘propaganda’ é o produto cuidado, com pinta de exclusivo, toque único e vida útil. É evidente que o trabalho de criação e evolução da marca também funcionou... demais até. E o ‘chapeuzinho’ foi a escolha certa, tanto que durante muito tempo sobrepôs a própria marca: “Às vezes o nosso cliente chegava e falava: ‘Ah, é aquela roupa do chapeuzinho’. E nem o nome da empresa sabia direito”, sorri Kilza, talvez sem perceber o forte trabalho de fixação da marca. (D.B)

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Jornal do Commercio
Recife - 05.11.2001
Segunda-feira