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A psicologia das cores auxilia criação de marcas

Você já deve ter se perguntado porque a grande maioria das lanchonetes utilizam o vermelho e o amarelo em suas marcas. Ou porque não daria certo colocar um azul-turquesa nos paramentos de um corpo de bombeiros ou um vermelhão nas embalagens de gelo. A resposta está no estudo da psicologia das cores. Isso porque as cores determinam efeitos psicológicos sobre as pessoas expostas a elas. E, ao passo que utilizá-las da forma adequada contribui para a construção das marcas, um pequeno deslize pode desembocar num desastre.

Uma rápida passada sobre as oito cores básicas revela suas associações. O vermelho é a cor mais excitante de todas e aumenta o metabolismo do corpo, despertando inclusive o apetite. O verde lembra a natureza e acalma, enquanto o azul – a segunda cor mais poderosa – transmite tranqüilidade, segurança e dignidade.

O amarelo é alegre, mas pode se tornar irritante se não for complementado. O branco representa inocência e dá a sensação de paz. O roxo é a cor da aristocracia e da artificialidade, por ser rara na natureza. Já o preto pode representar o mal, sugerir elegância ou desafio. Por fim o marrom, cor da terra, simboliza sentimentalismo e também melancolia.

Estudos de acadêmicos – como o de Modesto Farina em Psicodinâmica das Cores em Comunicação – demonstram o uso dessas informações em embalagens utilizados por várias indústrias e destinados às mais diversas faixas de consumidores. No setor de alimentos, como em diversos outros, elas devem possuir as cores certas para despertar impulsos, motivar compras e, conseqüentemente, elevar as vendas. Para o arquiteto e designer Paulo Oliva, as cores têm vários atributos: “Costumo dizer que a cor tem gosto, cheiro, temperatura e desperta emoções contidas que temos que saber dosar antes de utilizá-las”.

É bom que fique claro que as referências dadas às cores podem variar de cultura. “Essa característica de associar o vermelho aos alimentos é uma coisa muito latina. No Japão, por exemplo, tudo o quanto é embalagem de alimento é preta”, lembra o publicitário Giuliano Bianchi.

Em alguns cursos porém, esses conhecimentos são deixados em segundo plano. Para a designer Dinara Moura isso é uma pena: “Infelizmente é uma área defasada no curso. Mas há livros específicos sobre cores (um legal é Da Cor à Cor Inexistente, de Israel Pedrosa). O interessante é que isso nem sempre é percebido por pessoas leigas no assunto. Às vezes elas dizem: ‘não sei porque, mas eu adoro tal sanduíche e não resisto quando vejo a marca. Mal sabem elas que o segredo está nas cores”. (D.B)

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Jornal do Commercio
Recife - 05.11.2001
Segunda-feira