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Um zoológico muito especial

por ÂNGELO MELO

Afinal, o que os animais têm a ver com construção de marcas? Aparente ou cientificamente nada. Mas pensem e observem vocês o quanto é comum marcas recorrem aos bichos para sua divulgação. Umas se utilizam deles como mascotes, outros como ícones, "garotos propaganda" ou até mesmo como o próprio nome da marca.

Quem de vocês não lembra do tigre da Esso, do cachorrinho da Cofap, das formiguinhas da Philco, dos mamíferos da Parmalat, do peru da Sadia ou do siri, que recentemente foi sucedido pela tartaruga, nas campanhas da Brahma.

As marcas mais valiosas do mundo também não fogem à regra: a Ferrari, por exemplo, tem por ícone um cavalo, a LaCoste usa um jacaré, um urso polar já foi utilizado para lembrar a delícia de se beber uma Coca-Cola supergelada e, no segmento de cigarros, Camel é um dos nomes mais fortes.

No auge do cinema, apareceram o condor da Paramount e o famoso leão da MGM Studius, na abertura de cada filme, momento máximo de atenção do espectador.

Hoje em dia muito se discute sobre fidelidade às marcas. E, não faz muito tempo, essa história de ser fiel era apenas coisa de time de futebol. Mas vejam bem. O que são times senão grandes marcas por quem torcemos e nos apaixonamos? É aí que o bicho também pega: pra ficar por aqui por Pernambuco, o leão do Sport, o timbu do Náutico e a cobra do Santa Cruz. Pelo Brasil, os mais queridos: o urubu do Flamengo, o galo do Atlético em Minas, o gavião do Corinthians, sem falar da seleção canarinha.

Já pensaram no carnaval? No samba tem Beija-flor de Nilopólis e águia da Portela, na Bahia tem bloco Camaleão e aqui você escolhe: vai ao Siri na Lata ou prefere sair no Galo da Madrugada, o maior bloco do mundo?

E já que estamos falando em Pernambuco, não tenho assim muita base histórica para me aprofundar no assunto, mas já houve um tempo em que a tendência aqui era lançar produto com nome de animal. O bom é que esse era o tipo de marca que pegava. Alguns de vocês talvez não lembrem dos confeitos Beija-Flor ou do querosene Jacaré.

Alguma coisa os animais têm para fazer tanto bem às marcas e mexer com esses tais de posicionamento, top ou share of mind. Acho até que já é hora de se estudar melhor a razão de existir a teoria do zoológico das marcas.

*Ângelo Melo é publicitário

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Jornal do Commercio
Recife - 05.11.2001
Segunda-feira