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Centenárias e mais jovens do que nunca...

Marcas centenárias e fortes ainda mantêm a liderança em vários segmentos de mercado. Com o passar dos anos, elas cresceram e se adaptaram aos novos hábitos dos clientes

por SIMONE GOUVEIA

“Um amigo na praça”. Quem não lembra desse slogan que fez sucesso durante anos anunciando as vantagens de um grande banco pernambucano? Hoje, o banco já foi até vendido para outra instituição financeira, mas a musicalidade dos comerciais continua na memória, mesmo depois de tantos anos. Assim como esse slogan, uma marca também pode ficar acesa na memória dos consumidores. Algumas, inclusive, com mais de 100 anos e muitas, líderes de mercado e de recall.

Em Pernambuco, há vários exemplos de marcas centenárias, fortes e que são sinônimo de credibilidade e qualidade. Como as Lojas Narciso, com 163 anos; Pilar, com 126 anos; Casas José Araújo, com 112 anos; Ferreira Costa, com 117 anos e o Elixir Sanativo, fabricado pelo Laboratório Pernambucano (Laperli) desde 1888.

“São marcas de sucesso que foram se consolidando devido a um trabalho gerencial sério, que envolve um bom atendimento ao cliente, produto de qualidade, preços competitivos e uma permanente comunicação com o público”, salienta Bento Albuquerque, consultor de Marketing e Negócios da ADM&TEC Instituto de Administração e Tecnologia.

Muitas das empresas centenárias começaram acanhadas, como mercadinhos de interior, que cresceram ao longo dos anos e terminaram virando grandes redes comerciais. As Casas José Araújo, por exemplo, eram, em 1890, uma lojinha de tecido em Pesqueira, interior de Pernambuco. Cem anos depois, a rede já somava 28 unidades em todo o Nordeste. Para o diretor José Neto, boa parte do sucesso da marca ‘Zé Araújo’ está na publicidade. “O nosso slogan ‘onde quem manda é o freguês’ ainda é muito forte. Para nós, a força da nossa marca está intimamente relacionada à propaganda.”

Até hoje, as campanhas publicitárias ainda têm forte recall. Assinadas pela agência Itaity, de Carol Fernandes, muitas fizeram grande sucesso, como a de Dalvanira, que só teve cinco inserções na TV antes do Carnaval e terminou virando o ‘hino oficial’ da folia. Rádios do interior ligaram para a agência solicitando a música para tocar gratuitamente nas emissoras por causa dos pedidos dos ouvintes.

Quantas gerações não se divertiram – e por que não dizer, se identificaram? – com os jingles das campanhas criadas por Carol? E a boa notícia é que, depois de um recesso que já dura quatro anos, a rede pretende voltar à mídia televisiva. “Mesmo sem anunciar, continuamos com uma presença ainda muito forte. Estamos restruturando e equipando as lojas para voltarmos a investir em propaganda. Isso, a partir do ano que vem”, revela Neto.

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Jornal do Commercio
Recife - 05.11.2001
Segunda-feira