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Grupo Tavares de Melo relança Açúcar Estrela

O GTM investiu R$ 5 milhões para relançar o produto no mercado nordestino. Fora das prateleiras dos supermercados há mais de oito anos, a marca ainda tem forte lembrança junto aos consumidores, fator decisivo para a compra do direito de uso da marca

Um caso bem feito de consolidação de marca é o da Açúcar Estrela. Fora das prateleiras dos supermercados pernambucanos há quase oito anos devido à falência da Amorim Primo, o produto ainda tem forte recall junto aos consumidores. Forte suficiente para ser o fator decisivo da compra do direito de uso da marca Estrela pelo Grupo Tavares de Melo (GTM).

A negociação em torno da compra da marca custou cerca de R$ 150 mil. Mas, para relançar o produto no mercado, o GTM investiu altas somas, que ultrapassaram o valor de R$ 5 milhões. Foram adquiridos equipamentos mais modernos e montada uma nova infra-estrutura na Usina Estivas, no Rio Grande do Norte, que já produz os açúcares de marca Estivas e Dumel. O empenho do Grupo para relançar o produto foi total. “Só em publicidade e ações de marketing gastamos R$ 1 milhão”, diz o diretor Eduardo Tavares de Melo.

Com a fabricação e comercialização do açúcar, o Grupo aumentou a participação no setor sucroalcooleiro nordestino, passando a produzir 130 mil toneladas do produto por safra (ano). Do total, 60 mil toneladas são exportadas para os países do Oriente médio, como Iraque, Irã e Arábia Saudita, e para a África Central.

Embora o açúcar só teve sua participação mais intensificada no mercado pernambucano a partir deste ano, a marca já estava presente na Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará há um pouco mais de três anos. “Adiamos um pouco a comercialização do produto em Pernambuco devido aos custos adicionais, como frete e carga tributária.”

Voltado para o público classe A, a marca ainda traduz nos consumidores uma imagem de requinte e de produto de alta qualidade, tão explorada na publicidade desenvolvida pela agência Gruponove, que detinha a conta dos produtos da Amorim Primo.

VOLTANDO NO TEMPO – Durante aproximadamente 13 anos, a Gruponove assinou as campanhas da empresa, entre elas, os comerciais do Açúcar Estrela. Nas peças publicitárias, a presença constante de elementos da cultura regional e folguedos populares. “Tínhamos uma comunicação dirigida muito boa. As pessoas se identificavam com os comerciais, que ainda hoje são lembrados, como o do pirulito, onde um rapaz de patins rouba um beijo de uma moça”, lembra uma das sócias-fundadoras da Gruponove, Lucinha Moreira.

Para Lucinha, os comerciais do ‘Pirulito’ e do ‘Maracatu Sinfônico’ foram os que tiveram maior recall. Quem tem mais de 20 anos lembra bem da imagem do casal no parque, enquanto o jingle enchia de musicalidade o comercial. “A coisa mais doce dessa vida é abraçar o mundo inteiro mundo inteiro num amor tão grande assim...”.

Durante esta época, alguns artistas de sucesso da atualidade foram lançados na televisão. Como Antônio Carlos Nóbrega e Mestre Salustiano, cujas primeiras aparições na telinha se deram através de comerciais dos produtos Estrela.

A parceria também rendeu alguns prêmios, como o Jeca Tatu CBBA/Academia Brasileira de Letras para o filme ‘Bumba Meu Boi’, em 1983, e o 30º Festival Internacional de Nova Iorque para a trilha do filme ‘Maracatu Sinfônico’, em 1987. Ao todo, foram 16 premiações. “Foi um trabalho maravilhoso. A publicidade desenvolvida naquela época contribuiu para que a marca Estrela fizesse parte dos valores culturais da nossa região”, lembra Antônio Aguiar, na ocasião assessor de Marketing da Amorim Primo. (Simone Gouveia)

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Jornal do Commercio
Recife - 05.11.2001
Segunda-feira