LG_jc.gif (3670 bytes)

Maior desafio é traduzir a imagem real da empresa

Antes de criar imagens conhecidas, os designers desenvolvem um sério trabalho de pesquisa de público e mercado. Reuniões com os clientes para poder passar fielmente a filosofia da empresa também fazem parte do processo de concepção

por DARIO BRITO

Um exercício simples. Olhe ao redor e perceba quantas marcas estão à sua volta. Veja as cores, as formas usadas e os tipos de fontes que fazem parte de cada uma delas. Até parece fácil conceber um ‘desenhinho’, colocar o nome da empresa, utilizar as cores que mais gosta e... pronto, assim está construída uma marca. Ledo engano. Por trás de tudo isso está o trabalho dos designers, profissionais responsáveis por transmitir conceitos e construir imagens duradouras através de uma identidade visual. E isso é um desafio constante.

A marca é o resultado de reuniões, pesquisas de público, psicologia das cores e um sem-fim de referências utilizadas por esses profissionais para transmitir um conceito. “É importante saber que a marca não é apenas um ‘desenho’ e sim um conjunto de informações. Nela há pesquisa de imagem e comportamento de mercado. É sobretudo um reflexo, antes mesmo de ser uma imagem”, explica a arquiteta e designer Neide Câmara. Há 31 anos trabalhando no ramo, ela já foi responsável pela criação de dezenas de marcas, mas tem um carinho especial pelas do Hotel Atlante Plaza, Mar Hotel e Summerville Beach Resort.

O interessante é que, mesmo com um idéias fortes e baseadas em estudos, a visão do trabalho desenvolvido pelo designer ainda é, com o perdão do trocadilho, injustamente ‘apagada’. Como lembra o arquiteto e secretário de Cultura do Recife, João Roberto Peixe: “As pessoas têm uma imagem equivocada desse processo. Elaborar um sistema de identidade visual significa dar visibilidade à alma de uma empresa. E é necessário fazer uma análise profissional do que é permanente nela”.

Aquela ‘olhadinha’ do teste proposto inicialmente para a percepção de marcas funciona muito bem com o trabalho desenvolvido por Peixe. No ano em que completa três décadas no ramo, ele detém a criação de várias imagens que fazem parte do nosso cotidiano. Exemplos? Baterias Moura, Valença & Associados, Centro de Convenções de Pernambuco, Bompreço, Coperbo e Ferreira Costa só para ficar em alguns poucos nomes.

Tornar visível o que é invisível requer uma grande dose de obrigações a responder. E isso também nem sempre é enxergado pelo público ou cliente. “Às vezes, as pessoas dizem que designers são complicados, mas não entendem que eles são responsáveis por criar algo que reflita exatamente o conceito que se quer passar. Não é um trabalho alheio, nem tampouco rápido. Precisa de tempo”, lembra Neide.

O fardo é pesado. E uma coisa que deve ser levada muito em consideração é a capacidade que esses profissionais têm de enxergar adiante, diferente da publicidade que preocupa-se mais diretamente com o momento atual. Para Peixe, a diferença é bem evidente: “Enquanto o publicitário comunica para o hoje, o designer desenvolve um trabalho hoje, mas também pensando no amanhã. Veja que as marcas fortes têm décadas de vida e quanto mais o tempo passa, mais consolidadas elas ficam”.

Vale lembrar que há casos em que a marca que vai ser construída já tem sua vida útil pré-determinada. Logo, ela deve ser concebida em cima de elementos que sejam facilmente identificados e também marcantes, como no caso de congressos. Mas há experiências nas quais essas marcas efêmeras ficam tão boas que acabam guardadas na memória.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 05.11.2001
Segunda-feira