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Música é o forte dos filmes em cartaz esta semana

por JÚLIO CAVANI

Três das estréias desta semana trazem a música como eixo de suas propostas. Hedwig - Rock, Amor e Traição (Fundação), Rock Star (multiplex) e Moulin Rouge (reexibição no Parque), celebram, de forma totalmente diversa, o ecletismo do pop do século XX.

Hedwig conta/canta a vida de um músico transformista alemão que encanta a todos (principalmente aos espectadores do filme) com suas performances escandalosas e canções poéticas e reflexivas. O diretor e ator John Cameron Mitchel construiu um movimentado e eclético mosaico, utilizando diversas referências político-pop-kitsch e diferentes linguagens, que vão do desenho animado ao super oito. Festejado em diversas mostras de cinema importantes, esse musical norte-americano é o melhor filme em cartaz no Recife.

Bem menos inusitado, Rock Star tenta fazer um retrato do heavy metal da década de oitenta. Mark Wahlberg (O Planeta dos Macacos) é um jovem cabeludo convidado para substituir o vocalista de sua banda preferida (o filme inspira-se no caso real da Judas Priest). Jennifer Anniston (do seriado Friends) é a namorada do cantor. Apesar de estereotipado e inocente, o longa promete provocar uma inevitável reflexão sobre a estética do período abordado.

O Parque reexibe Moulin Rouge, no qual Ewan Mc Gregor é um poeta deslumbrado com a estrela (Nicole Kidman) do cabaré-título. Além do delírio visual das cenas dirigidas por Baz Luhman, a música é onipresente, em parte porque os personagens dialogam através da letra e da melodia de clássicos da FM. Boa oportunidade para testar os novos equipamentos da sala de exibição.

CINEMA-PIPOCA – Os espectadores patriotas não devem perder o tecnicamente bem acabado O Xangô de Baker Street, de Miguel Faria Jr., que estréia nos multiplex. Baseado no livro de Jô Soares, o filme retrata a vinda de Sherlock Holmes (Joaquim de Almeida) ao Brasil, à procura de um violino e às voltas com um serial killer. Não só os gringos, mas também o país tropical é caricaturizado nesta tentativa de misturar comédia e suspense.

Em Perseguição, os espectadores tem que torcer por um cara certinho e um canalha, encurralados por um caminhão que os ameaça em uma estrada. Os diálogos e personagens do filme são supérfluos, até porque o que importa é a tensão provocada pelos automóveis. Não traz inovações ao gênero, mas prende a atenção e tem clichês que divertem bastante.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.11.2001
Quinta-feira