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Palatino: de gourmet para gourmets

Manoelito Costa Moraes não é um chef de cuisine formado nos bancos das escolas, mas bem que poderia ser se, na época em que teve que optar pela carreira de comerciante, gastronomia fosse tão fashionable (logo, aceitável como profissão para os filhos da classe média alta) quanto é agora. É claro que essa afirmativa é simples especulação, elaborada a partir da história do próprio Manoelito, que, há menos de um mês, ocupa o imóvel onde até bem pouco tempo funcionou o Buongustaio.

Ao escolher instalar o Palatino (esse é o nome do novo restaurante) numa casa que já abrigou um dos mais bem-sucedidos empreendimentos gastronômicos da cidade, Manoelito Costa e Paulo, seu sócio e irmão, fizeram uma aposta arriscada. Se, por um lado, o ponto já estava criado pelo êxito do seu antecessor, ou seja, as pessoas já haviam memorizado aquele endereço como referência de comer bem, por outro, as comparações com a qualidade do que antes era servido no mesmo local seriam inevitáveis. E, falando sério, para ser comparado ao Buongustaio em qualidade tem que segurar muita onda.

O Palatino segurou, e bem. Primeiro, ele não caiu na tentação de copiar o estilo do Buongustaio (ou mesmo alguns itens do cardápio como vem fazendo um certo restaurante na cidade, o que seria ainda mais lamentável) e conseguiu estabelecer uma identidade própria. O Palatino poderia ser definido como um restaurante feito por um gourmet para os gourmets. Manoelito Costa, alçado à condição de chef e restaurateur, acompanha todo o processo de feitura e montagem de pratos. Nada sai da cozinha sem passar por seu crivo.

Em comum com Antenor Silveira, do Buongustaio, ele tem a capacidade de ser ‘cri-cri’ (no bom sentido). Está lá, impresso em seu cardápio: um risoto só chega à mesa depois de 40 minutos de espera (felizmente, esse é o único prato com tal característica). E não adianta sugerir medidas intermediárias para tornar este delicioso prato da cozinha italiana mais praticável: ele não aceita. É a sua linha. Pode até ser seu charme.

O Palatino apresenta um cardápio enxuto, cuja tendência não pode ser rastreada por nacionalidade, embora haja uma clara preferência preferência pela cozinha italiana. No Palatino, Manoelito Costa pratica a filosofia moderna no cenário gastronômico mundial que aponta para pratos menos rebuscados, mais objetivos, realçados pelo uso de ingredientes de primeiríssima qualidade. Isso pode ser comprovado num dos carros-chefes da casa: o filé de cordeiro com arroz de menta e molho de vinho. Quase perfeito, não fosse a junção de arroz com batatas cozidas. Realmente desnecessário. Outro acompanhamento que não carboidrato equilibraria melhor o prato, ou, simplesmente, ficasse só o arroz. O penne com fungo porcini é, esse sim, irrepreensível, com sua textura aveludada, espessura correta e o sabor marcante do cogumelo. O Palatino promete fazer história na cidade.

Palatino – Rua Santo Elias, 348, Espinheiro, fone: 3244.7554. De segunda a sábado, a partir das 19 horas

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Jornal do Commercio
Recife - 15.11.2001
Quinta-feira