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ARTE DIGITAL II
Estática ou animada, vale tudo

As possibilidades do computador de lidar com imagens são um campo fértil para a experimentação dos artistas da era eletrônica

A inspiração para a arte pode vir de qualquer elemento, mas na arte digital é comum o uso de fotografias, imagens de game ou outras ilustrações que sirvam de começo para o trabalho.

Para o aluno de doutorado em processamento de imagens Carlos Alexandre, sua atuação como desenvolvedor de jogos para a NetPE foi a fonte inspiradora. “Você pode criar o mundo que quiser, mas é preciso ter uma imaginação livre”, diz. Paisagens, submarinos, naves. O mundo perfeito para ele parece ser o da ficção científica. “Sempre desenhei o mesmo estilo, minha inspiração vem de coisas aleatórias, vejo alguma coisa na rua e reproduzo como enxergo.”

Carlos acha os programas gráficos complicados e sugere aos iniciantes nesse tipo de arte muita paciência e força de vontade. Ele se iniciou no mundo digital com software 2D e hoje desenvolve seus trabalhos em 3D Studio, Bryce (para desenhar paisagens) e Poser (para formas humanas).

Na visão artística de Haidée Lima, são as fotografias que chamam a atenção. Mais ainda: a captura das imagens reais ganha sentido justamente quando se tira o sentido. Arte para Haidée é fotografia manipulada, ou seja, arte em cima de arte. “Fotografo coisas que podem servir de referência, enriquecer meu trabalho.” Para obter o resultado desejado, usa Photoshop e Fireworks.

O princípio do trabalho de Oscar Malta é semelhante. Ele tem dúvidas se pode assumir a propriedade dessa nova arte. “Eu uso uma imagem original de outra pessoa, manipulo e crio outra baseada nas minhas vivências.” Sua produção é cheia de misturas. São fotografias, desenhos à mão (dele ou de outro autor), objetos escaneados para a produção de texturas, pedaços de vídeo e tudo o que a imaginação permitir. Ele diz que só o computador permite essa fusão, possibilita o impossível, até a mistura das mídias. Os programas Photoshop, Illustrator e Premiere, da Adobe, e Freehand, Flash Live Motion, Dreamweaver e Director, da Macromedia, são a base do trabalho de Oscar.

Ele ingressou no campo das mídias digitais ainda adolescente. Possuidor de talento nato para o desenho, Oscar descobriu nos computadores verdadeiras caixas de ferramentas. Passou por trabalhos que vão desde vídeo design até gráfico e Web. Está de viagem marcada para Paris, onde vai fazer uma especialização em vídeo design e novas mídias para assumir o cargo de coordenador pedagógico da área de computação gráfica do Centro Cultural Tacaruna.

Para os artistas virtuais, o micro e os softwares são como a tinta, o pincel ou a argila para os artistas convencionais. De preferência, se os programas gráficos de criação e publicação na Rede forem atualizados e os micros tiverem o mínimo de 800 Mhz, memória RAM entre 256 MB e 512 MB, placa de vídeo a partir de 16 MB com renderização 3D e monitor de 17 polegadas. Para os apreciadores, a combinação entre programas, sistemas operacionais, tipos de conexão e velocidade de Internet, qualidade de monitor, de resolução de tela, entre outras variáveis, alteram a forma de recepção. É preciso que o autor pense em estratégias de programação e publicação que tornem a obra legível, decodificável e sensível.

A experiência de mexer com o fascínio da mídia eletrônica encanta até artistas consagradas, como João Câmara. Embora não mais se dedique à mídia eletrônica, ele já deu sua colaboração de arte digital ao assinar uma coletânea de ilustrações digitais para o livro Originais, Modelos e Réplicas. “Fiz alguns experimentos, mas estou vivendo outro momento da carreira”, explica. “A arte digital está apenas engatinhando. Esse é um campo aberto.” Palavra de artista. Informatas, habilitem-se.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira