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SOFTWARE LIVRE
Tem brasileiro cuidando do novo kernel do Linux

Investir em robustez e estabilidade são os planos do curitibano Marcelo Tosatti para o sistema

operacional. Outra meta é apoiar o crescimento da comunidade adepta do pingüim no Brasil

por BRUNA CABRAL
bruna@jc.com.br

O futuro do Linux está nas mãos do Brasil, ou melhor, de um brasileiro: o analista de sistemas da Conectiva Marcelo Tosatti. Com apenas 18 anos, o técnico foi convidado pelo inventor do sistema operacional, Linus Torvalds, para assumir o posto de mantenedor do kernel do Linux. Na prática, isso significa que caberá a ele escolher que alterações sugeridas pelos desenvolvedores serão incorporadas ao núcleo operacional do sistema.

Marcelo Tosatti tomará posse ainda este mês, substituindo Alan Cox, um dos mais ativos desenvolvedores de Linux do mundo, que ocupa o cargo há anos e justificou a escolha do brasileiro, afirmando tratar-se de um jovem “inteligente e astuto” e que, por trabalhar numa distribuição, sabe muito bem a importância de garantir a qualidade do kernel.

Apesar de participar “ativamente” da comunidade Linux há pelo menos três anos, Marcelo Tosatti ficou surpreso com o convite. “Não esperava mesmo. Nem sabia que eles planejavam trocar o mantenedor do núcleo do sistema”, conta.

Os planos de Marcelo para o kernel já estão traçados. E a ‘domesticação’ não está entre eles. “É mais importante investir em robustez e estabilidade para que o sistema possa ser usado em produção”, afirma. “As empresas responsáveis pelas distribuições é que devem se preocupar com interfaces e outros recursos para simplificar o uso do sistema”, afirma o jovem técnico (e bota jovem nisso), que ‘orquestrará’ de agora em diante o trabalho da comunidade Linux para desenvolvimento do kernel. O grupo é composto por aproximadamente 200 técnicos de diversas partes do mundo. Desse total, pelo menos 40 são assíduos colaboradores.

Outra das metas do novo ‘guardião’ do kernel é estimular o crescimento da comunidade brasileira de desenvolvimento para Linux, que, segundo ele é pouco expressiva. Ainda. “Não sei se posso ajudar muito, mas farei o que estiver ao meu alcance, como participar de palestras e seminários em todo o País”, afirma. “Quero mostrar que, se fizerem um bom trabalho, eles podem ser reconhecidos. Como eu fui.” Marcelo também investirá em compatibilidade, ou seja, pretende fazer com que o sistema reconheça a maior variedade de equipamentos possível, o que, aliás, é uma luta permanente da comunidade.

O ‘mandato’ do brasileiro terá, a princípio, duração de três anos. “Mas se fizer um bom trabalho com o 2.4, poderei ficar responsável pelo 2.6 também”, afirma Marcelo, que dedica pelo menos seis horas de trabalho diárias somente ao kernel. Se essa rotina vai mudar? “Só as atribuições, porque a dedicação será a mesma”, promete. Ele continua trabalhando na Conectiva, uma das principais distribuições de Linux no Brasil, com sede em Curitiba.

Serviço

www.linux.org.uk

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira