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GUERRA AO TERROR
Aliança aceita apelo da ONU

As conversações sobre um novo governo afegão, que começam na segunda-feira em Berlim, serão realizadas sob os auspícios das Nações Unidas. Aliança do Norte promete participar

CABUL – A Aliança do Norte, que controla a capital afegã e mais da metade do país, aceitou ontem um convite das Nações Unidas para participar de conversações sobre divisão do poder com outras facções, semana que vem, na Alemanha.

As conversações visam estabelecer um novo governo multiétnico de amplas bases para substituir o regime do Taleban, cujo controle do país desmoronou este mês após incansáveis bombardeios dos EUA e ataques das forças terrestres da Aliança do Norte.

Depois de vários dias de negociações, a aceitação formal do convite da ONU pela aliança foi anunciada numa entrevista coletiva conjunta pelo ministro do Exterior em exercício da aliança, Abdullah Abdullah, e o enviado das Nações Unidas, Francesc Vendrell.

Em Washington, o ministro do Exterior alemão, Joschka Fischer, afirmou ontem que seu Governo estava ansioso para ajudar na formação de um governo de amplas bases no Afeganistão.

Ele falou a repórteres depois de reunir-se com o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell. Fischer sublinhou que as conversações sobre o novo governo em Cabul serão realizadas sob os auspícios da ONU. As conversações devem ter início na segunda-feira em Berlim.

Lakhdar Brahimi, o principal enviado da ONU para o Afeganistão, também fez um anúncio das conversações. Ele confirmou que a Aliança do Norte aceitou o convite do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para um encontro fora da nação destroçada pela guerra.

A Aliança do Norte será um dos quatro principais grupos participando da conferência. Representantes do antigo rei do Afeganistão, Mohammad Zaher Shah, também participarão, mas o Taleban não estará presente, e Vendrell descreveu o movimento como estando à beira do colapso. Autoridades da aliança vinham dizendo há dias que estavam dispostas a participar, mas só anunciaram aceitação formal ontem. Mais cedo, o líder da Aliança do Norte, o ex-presidente afegão Burhanuddin Rabbani, havia dito que a sessão de abertura seria simbólica e que mantinha sua exigência de que decisões substantivas sobre o futuro do Afeganistão só possam ser tomadas em reuniões no seu país. Os EUA e seus aliados, contudo, querem a conferência num território neutro.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira