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CRISE DA PM V
Hierarquia está abalada desde 97, afirma coronel

José Ivo de Freitas, um dos coronéis que apresentaram denúncias contra Iran Pereira, afirma que após a primeira greve da PM, em 97, a disciplina na corporação sofreu um abalo. E a crise aumentou com a segunda greve

por AYRTON MACIEL

O coronel José Ivo de Freitas, um dos oito coronéis da PMPE que se rebelaram contra o projeto do Governo que altera as regras das promoções na corporação, disse, ontem, que a hierarquia e a disciplina na Polícia Militar de Pernambuco estão abaladas desde a greve de 1997. “Após a primeira greve, houve um abalo, e com a segunda greve, no ano passado, o abalo foi maior ainda”, reconheceu o coronel, que esteve com companheiros de patente na Assembléia Legislativa, quando entregou ao presidente Romário Dias o dossiê com denúncias de irregularidades por parte do comandante-geral, Iran Pereira.

O coronel Ivo de Freitas ressaltou, porém, que o abalo na hierarquia e disciplina não levaram a uma situação de descontrole na corporação militar. “Os comandantes continuam determinando e os subordinados obedecendo”, afirmou. Segundo o oficial, o projeto do Governo “não vai restaurar os dois pilares da instituição”, e sim a nomeação de um comandante-geral, em substituição ao atual, que “mereça o respeito da tropa”. O coronel declarou que os 15.500 soldados e cabos questionam o motivo de o Governo manter no posto um comandante que os chamou de “manequins” na última greve.

“Com isso, o sentimento de disciplina em relação aos superiores foi diminuindo. Eles não entendem como os oficiais aceitam este comandante. Nós aceitamos porque somos disciplinados, mas temos limites”, analisou coronel Ivo de Freitas. O oficial disse que os coronéis rebelados aceitam o rodízio de funções, porque a medida não fere nenhuma norma interna e porque o comandante-geral tem a prerrogativa de efetuá-la, embora saibam “que se trata de uma retaliação”.

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Jornal do Commercio
Recife - 21.11.2001
Quarta-feira