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NA TERRA DE PINZÓN
Dois mundos, um mar

Na próxima segunda-feira, comemora-se os 502 anos da partida do espanhol Vicente Pinzón para terras brasileiras, mais precisamente o Cabo de Santo Agostinho

por CIRO CARLOS ROCHA
Da Editoria de Política

Vale a pena deixar o Brasil e seguir em viagem de turismo tendo em mente, em primeiro plano, uma pequena cidadezinha do Sudoeste da Espanha, com apenas 7.500 habitantes? Se você é o tipo de turista que busca não apenas lazer, mas também informação e cultura, e se a cidade em questão tem o charmoso nome de Palos de La Frontera, na região da Andaluzia, a resposta é mais do que positiva. É um convite ao passado, à época da epopéia dos descobrimentos marítimos, sem se afastar da modernidade. Os encantos são muitos e não deixam brecha para se pensar numa mudança de roteiro.

Foi de Palos de La Frontera de onde partiu, há cinco séculos, o navegador Vicente Yañez Pinzón, para ganhar os mares bravios em busca de novas terras. Na próxima segunda-feira (19) se comemora a data da expedição, no longínquo ano de 1499. Vicente Pinzón é tido como o descobridor do Brasil. Ele teria chegado ao Cabo de Santo Agostinho – batizou de Santa Maria de La Consolación – três meses antes de Pedro Álvares Cabral aportar na Bahia. Mas o Tratado de Tordesilhas, acordo firmado entre o Papa Alexandre VI e os reis da Espanha e de Portugal, deu aos lusitanos o título de descobridores oficiais do Brasil.

A relação Cabo-Palos está rendendo bons frutos para os dois municípios. Desde 99, as duas são cidades-irmãs e incrementam um intercâmbio que avança a cada dia. Há duas semanas, um grupo de empresários, profissionais liberais e políticos pernambucanos (quase todos cabenses) estiveram visitando a cidade espanhola na 1ª Missão Cultural Pernambuco-Espanha. Em janeiro, será a vez de uma comitiva de palermos (como se chamam os que nascem em Palos) visitarem o Cabo de Santo Agostinho para o Festival Pinzón, que festejará os 502 anos da chegada do navegador espanhol ao território brasileiro, em 26 de janeiro de 1500.

Só essa relação já bastaria para estimular os brasileiros (os pernambucanos em especial) a conhecer a terra de onde partiu Pinzón. Mas há muito, muito mais encantamentos com os quais o turista vai se deparando a cada momento que passa em Palos de La Frontera. Os monumentos, a arquitetura, a culinária, a preocupação com o patrimônio e com a preservação da História, a riqueza de uma pequena cidade aparentemente sem problemas (há emprego para todos, por exemplo) e a hospitalidade de um povo alegre, que envelhece com dignidade. Um cenário, já deu para perceber, bem diferente da nossa realidade de País em (eterno) desenvolvimento.

Como não poderia deixar de ser, a odisséia dos navegadores é um trunfo não esquecido pelos palermos. Em qualquer ponto, a cidade respira navegação. Os moradores celebram os feitos dos seus antepassados. Palos se autodenomina a “Cuna del Descubrimiento” (Berço do Descobrimento), já que também foi do antigo Porto local de onde saiu o genovês Cristóvão Colombo para descobrir a América, em uma missão espanhola.

Num passeio pelas ruas da pequena cidade, com casas bem cuidadas e no máximo com dois pavimentos, são muitas as imagens que nos levam aos tempos de Pinzón. Em alguns trechos, se você olha para o chão, está lá: o piso da calçada traz a imagem de uma caravela. Numa cafeteria, outra imagem da embarcação que cruzou os mares para chegar ao Brasil. Se você resolver parar para tomar uma cerveja, a marca de uma produzida na Andaluzia também traz a imagem de uma caravela. Não há como se desgrudar da História. Neste pequeno cantinho fundado na primeira metade do século 14, o turismo cultural entra no espírito de aventura. O que é um convite e tanto.

Integrou a 1ª Missão Cultural Pernambuco-Espanha a convite da Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.11.2001
Quinta-feira