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FRANÇA
Ostras temperadas com história

Charente-Maritime mistura Guerra dos Cem Anos, castelos medievais e belas ilhas. A novidade: o turismo francês quer atrair brasileiros para lá

por FABIANA MORAES

A inusitada mistura de ostras e conhaque ganha, em Charente-Maritime, na Costa Francesa, uma conotação além da gastronômica. Composta por locais como Ilê de Ré, La Rochelle, Cognac e St.Jean-D’Angely, Charente é o mais novo destino promovido pelo turismo francês para os brasileiros, que ainda vão em massa para a badalada Paris. O grande charme do local: unir as ‘brasileiríssimas’ praias ao rico passado histórico e cultural europeu. Isso sem falar nas citadas ostras e o conhaque.

Explica-se: os frutos do mar provenientes da região (em especial o departamento de Marennes-Oléron) são bastante apreciados em todo o País. Metade da produção das ostras servidas nas grandes metrópoles européias saem de Charente-Maritime (elas ainda representam mais da metade da produção de ostras do Velho Mundo). A tradição pede que os mariscos locais sejam preparados com especiarias, fato remete claramente ao tipo de comércio praticado durante as comunicações entre o Porto de La Rochelle e os países do Oriente.

Essa ligação com o passado é algo que caracteriza bem a região. Castigada pela Guerra dos Cem Anos e diversas guerras religiosas, Charente-Maritime isolou-se durante anos do resto da França, desenvolvendo-se, dessa forma, de maneira autônoma. Por isso, algumas tradições foram bem preservadas, e só podem ser conferidas aqui (como a própria gastronomia e as festas religiosas). Mais história: foram encontrados na região vestígios das atividades dos primeiros neandertais. Ainda existem marcas arquitetônicas da Roma Antiga (séculos 11 e 12) e da Renascença Romana. Durante os séculos 17 e 18, a expansão marítima se inicia (com uma razão pouco nobre: o tráfico de escravos). A rota ocorria entre La Rochelle (a capital) em direção ao Canadá (daí a fundação de Quebéc em 1608), para ilhas da América do Norte e Oceano Índico.

SAVOIR-FAIRE – Nos 450 quilômetros de costa de Charente-Maritime, quatro ilhas fazem as vezes de pequenos paraísos: Aix (a Ilha Imperial), Ré (a Ilha Branca), Oléron (a Ilha Luminosa) e a Ilha Madame (o nome é esse mesmo). Cada ‘título’ se justifica: Em Aix, foi construída a casa do imperador, enquanto Ré abriga diversos vilarejos formados por casinhas brancas e venezianas verdes. A costa da ilha, bastante típica, merece ser descoberta a bordo de uma bicicleta. Óleron, a maior das ilhas de Charente-Maritime, é chamada de luminosa por conta de seu clima agradável e sua areia muito fina. A Ilha Madame, a menor de todas, pode ser descoberta numa caminhada durante um final de tarde. Outra atração da região – e que deve atrair aqueles que adoram relaxar e cuidar do corpo – é a talassoterapia, a conhecida ‘terapia do mar’. Existem diversos centros estéticos no local que utilizam a riquíssima oferta natural (o mar, é claro) para beneficiar a saúde dos seus clientes. Além disso, são oferecidos tratamentos como hidroterapia e a algaterapia. A coisa é fina.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.11.2001
Quinta-feira