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NA TERRA DE PINZÓN II
História reproduzida com cera e imaginação

O Museu das Caravelas, em Palos, é a segunda atração turística mais visitada na Andaluzia. Nele, estão desde índios brasileiros até reproduções de sons ditos da época. As atrações são muitas, por isso prepare o fôlego

Embora seja possível lembrar a saga dos navegadores espanhóis em quase todos os cantos de Palos de La Frontera, é no Museu das Caravelas onde a coragem e a determinação dos irmãos Pinzón são mais destacadas. E não poderia ser diferente: instalado em 1994, no distrito de La Rábida, a poucos minutos do centro da cidade, o museu é um local fantástico, que exige uma visita demorada. Há muito o que contemplar e aprender.

Logo na entrada, é difícil não se emocionar com as imagens: as réplicas em tamanho natural da nau Santa Maria e das Caravelas Pinta e Niña, usadas por Cristóvão Colombo e Vicente Pinzón, que saltam aos olhos. O visitante pode entrar nas embarcações e sentir todo um clima criado para lembrar a dura façanha dos navegadores que enfrentaram o oceano em busca de novas terras, nos séculos 15 e 16.

Ao redor, a reconstituição de todo o ambiente que há mais de cinco séculos foi encontrado pelos descobridores ao chegar às Américas, inclusive com o som característico das aves e bichos. Nossos indígenas estão lá, representados por bonecos em tamanho natural. Ao deixar o local, o turista, com certeza, vai entender que não é por acaso que o Museu das Caravelas é considerado o segundo monumento mais visitado da Andaluzia (o primeiro é a mesquita árabe de Alhambra, em Granada).

Outra atração que não pode ser esquecida é o Mosteiro de La Rábida. Construído entre os séculos 14 e 15, foi lá que os franciscanos abrigaram Colombo e os colocaram em contato com os marinheiros palermos que, liderados pelos irmãos Pinzón, partiram para os grandes feitos oceânicos. No mosteiro em que os planos das viagens eram traçados, há réplicas das embarcações e a imagem de Nossa Senhora de La Rábida, padroeira da cidade e consagrada pelo Papa João Paulo a ‘Mãe da América’, além de caixas contendo terras dos países descobertos, entre muitas outras peças. Terras do Cabo estão lá, passadas pelo prefeito Elias Gomes (PPS) ao frei Francisco de Assis Oterino.

O mosteiro se localiza no Parque Botânico José Celestino Mutis, uma área imensa de um verde exuberante, bem cuidado, onde são muitas as paisagens que pedem contemplação, silêncio e reflexão.

Mas já no centro de Palos, antes de uma esticada ao Parque Botânico, há muito o que se visitar. Seguindo o tema das navegações, não se deve deixar de passar no Museu Hermanos Pinzón. Na calle (rua) principal da cidade, bem perto do ayuntamiento (prefeitura), a casa onde moraram os irmãos Pinzón (Martin Alonso, Vicente e Francisco) é uma construção do estilo renascentista do século 15 que hoje abriga um museu. Foi adquirida pela prefeitura e pelo governo regional (Andaluzia) dos descendentes do navegador. Há alguns anos sofreu uma restauração, mas manteve os aspectos originais. Estão lá pertences do navegador, instrumentos de navegação e cartas de Pinzón e Colombo para a Família Real.

O próximo passo pode ser a Igreja de São Jorge, construção do século 15, em estilo gótico francês, onde os marinheiros faziam suas orações antes de iniciar as viagens. Este ritual foi seguido pelo almirante Cristóvão Colombo e seus marinheiros numa madrugada de agosto de 1492, antes de seguir para o descobrimento das Américas.

Perto da igreja, a pedida é o antigo porto de Palos, que hoje dá lugar a uma praça. Um ponto certo para a tradicional fotografia é o que restou da fonte na qual os navegadores abasteciam de água suas embarcações. Da Fontanilla, construção do século 13, se abasteceram as naves Santa Maria, Pinta e Niña antes de seguirem na missão que culminou com a chegada de Pinzón à Santa Maria de La Consolación, hoje Cabo de Santo Agostinho. O que resta da fonte é ruína. Na frente, o braço do Rio Tinto que levava as embarcações ao oceano Atlântico.

Há ainda, na parte urbana da cidade, a Avenida das Américas – homenagem a todas as nações descobertas pelos espanhóis –, o Foro Ibérico e Americano de La Rábida, construído dentro das festividades do 5º Centenário do Descobrimento da América, o Monumento aos Descobridores e, para os pernambucanos (e cabenses em especial), o monumento que festeja o irmanamento das duas cidades, inaugurado pelos prefeitos Elias Gomes e Dom Carmelo Romero Hernandez em 1999 e onde, mais uma vez, é destacada a saga dos navegadores.

Como se não bastasse, o turista pode se deparar ainda com grandes pinturas lembrando a época das navegações num típico bar que circunda a Fontanilla, onde a música flamenca convida a um bom vinho. (C.C.R.)

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Jornal do Commercio
Recife - 15.11.2001
Quinta-feira