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NA TERRA DE PINZÓN IV
Cabo vai investir no turismo histórico

Palos de La Frontera e o Cabo de Santo Agostinho se tornaram cidades-irmãs em 19 de novembro de 1999. A data foi escolhida não por acaso: foi em 19 de novembro de 1499 que saiu a expedição do navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón. Para muitos, a expedição que chegou ao Brasil – precisamente no Cabo – em 26 de janeiro de 1500, três meses antes de Cabral aparecer na Bahia.

O termo de irmanamento foi assinado pelos prefeitos Dom Carmelo Romero Hernández e Elias Gomes na Igreja de São Jorge, em Palos, quando se começava a comemorar os 500 anos do descobrimento do Brasil. De lá para cá, o intercâmbio entre as duas cidades vem aumentando.

A 1ª Missão Cultural Pernambuco-Espanha, que há duas semanas levou um grupo de empresários, políticos, professores, representante do trade turístico e profissionais liberais até Palos, se enquadra dentro deste contexto. Uma programação oficial foi cumprida, incluindo troca de presentes, discussão de projetos comuns voltados para estimular esta aproximação, visitas a pontos turísticos e a exposição Cabo de Santo Agostinho, Aqui nasceu o Brasil, instalada na Biblioteca Pública Antônio Gala, no centro de Palos, com peças divulgando o município pernambucano.

Representantes da prefeitura (o próprio prefeito Elias Gomes liderou a comitiva) e da Câmara Municipal do Cabo esperam estabelecer uma dinâmica maior nesta relação. São muitos os projetos em estudo, entre eles a possibilidade de estudantes cabenses seguirem para uma temporada de estudos em Palos (língua espanhola, por exemplo) e vice-versa. A história de Pinzón já está nos currículos das escolas do Cabo, fruto de um projeto do vereador João Sávio (PMDB), um dos integrantes da comitiva e entusiasta deste intercâmbio. Monumentos nas duas cidades também atestam esta aproximação, numa espécie de resgate da história.

O ponto mais forte deste intercâmbio é justamente o resgate histórico e o que dele pode vir em termos culturais e de turismo. O diretor de Fomento da Empetur, Pepe Cal, que participou da missão representando o Governo do Estado, destaca como ”muito positivo” o saldo da missão, inclusive assinalando a integração da classe política e da sociedade cabense. Mas alerta que é preciso, a partir de agora, um planejamento bem estudado para os próximos passos.

“Turismo e história andam juntos. Não há dúvidas de que o Cabo de Santo Agostinho, já privilegiado com belas praias, tem uma história rica e pode lucrar com isso. Com um bom planejamento, melhor ainda. Talvez até pensando em criar alguma coisa que visualize melhor a história de Pinzón no município, tão bem destacada no Museu das Caravelas, em Palos”, sugere Pepe Cal, lembrando ser importante firmar parcerias, o que já vem sendo trabalhado pela prefeitura.

O próximo ponto alto do intercâmbio Cabo-Palos será o Festival Pinzón 2002, que o Cabo promove de 22 a 27 de janeiro, marcando a data da chegada do navegador espanhol ao município. Aí será a vez de uma comitiva de palermos visitar a cidade pernambucana.(C.C.R.)

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Jornal do Commercio
Recife - 15.11.2001
Quinta-feira