Será a proposta mais polêmica que o Brasil levará para a conferência da ONU contra o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e a intolerância correlata
RIO – A vice-governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT), defendeu ontem a reparação histórica pela escravidão através de indenizações financeiras, um dos pontos polêmicos da proposta brasileira que será levada à Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e a Intolerância Correlata, que acontece de 31 de agosto a 7 de setembro, em Durban, África do Sul.
Hoje, às 11h30, o presidente Fernando Henrique Cardoso recebe do subsecretário nacional de Direitos Humanos, embaixador Gilberto Sabóia, a sugestão brasileira que será levada à África do Sul.
A proposta de reparação histórica vem sendo rechaçada pelos Estados Unidos e países europeus, que ameaçam boicotar a conferência. “Acho que a recusa dos países desenvolvidos em debater esse tema é um flagrante desrespeito aos direitos humanos que eles tanto cobram do Brasil”, afirmou Benedita, que presidiu a Conferência Nacional contra o Racismo e a Intolerância realizada no início de julho e faz parte da delegação brasileira que irá a Durban.
Para a vice-governadora, os países ricos estão encarando essa reparação como mais uma forma de transferência de dinheiro para nações pobres.
“Na realidade, acho que a reparação pode ter um significado simbólico”, avalia Benedita, que participou, ontem de manhã, do seminário Mídia e Racismo, o último encontro que vai debater o problema do racismo antes do embarque da delegação brasileira. O seminário foi promovido pela Universidade Cândido Mendes, no centro do Rio.
INDENIZAÇÃO – A proposta de indenizações financeiras apareceu pela primeira vez no Brasil em 1993, liderada pelo professor de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia, Fernando Conceição, um dos fundadores do Movimento Pelas Reparações dos Afro-Descendentes no Brasil (MPR).
Na época, Fernando Conceição chegou a apresentar uma conta que estimava um débito de US$ 6,4 trilhões por parte do Governo brasileiro. Pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico (IBGE), o Brasil tem 76 milhões de afro-descendentes. A cada um deles caberia uma indenização de pouco mais de US$ 84 mil.