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Kirov chega enfim ao século 20 por PAULO SÉRGIO SCARPA Em Noite de Estrelas, companhia russa mostra que já aposta na atualização de seu repertório, mas ainda exibe o tradicionalismo de obras do século 19 Tudo é perfeição e técnica. Somente olhos bem atentos e conhecedores de centenárias coreografias poderiam indicar algum deslize ou falha na apresentação do Ballet Kirov, anteontem, no Teatro Guararapes. Mesmo que o programa escolhido para o Recife - denominado Noite de Estrelas - tenha incluído apenas fragmentos de coreografias consagradas pelo mais tradicional corpo de balé da ex-União Soviética, criado em 1738. O recifense foi privado de ver, no entanto, os grandes cenários, os ricos vestuários e as coreografias completas do Kirov, que foram mostrados em São Paulo, Rio de Janeiro e até em Salvador. Mas teve a oportunidade de apreciar, ao menos, duas obras-primas do século 20. Precisamente as tentativas do Kirov de mostrar que sua excelente base clássica lhe dá condições para dançar o que quiser, quando quiser e onde quiser. Serenade, com coreografia do mestre George Balanchine (1904-1983), russo que deu um toque clássico ao New York City Ballet, é considerada uma das obras-primas da dança contemporânea. Apesar da base essencialmente clássica, sua beleza, leveza e sutilezas de passos e gestos ganham força nos pés dos bailarinos do Kirov. A coreografia, com excelente iluminação em tons azuis e alguns passos fora do tradicional, foi feita tendo por base a Serenata para Cordas, de Tchaikovsky. A outra peça acabou sendo a maior surpresa da noite: Middle Duet, uma coreografia do jovem Alexei Ratmansky para o Teatro Mariinsky sobre peça sinfônica do também jovem compositor russo Yuri Khanin. Dançada com vigor, sincronia e leveza por Ksenia Dubrovina e Andrey Merkuriev, sintetiza o mais longe que o Kirov chegou até agora em coreografias contemporâneas. Um pequeno duelo entre um homem e uma mulher, hoje. O programa restante no Recife reforçou apenas a tese da necessidade de se exibir a maestria técnica do Kirov. Foram trechos do Corsário, Raymonda ou Arlequinadas, as três de Marius Petipa; ou O Espectro da Rosa, de Mikhail Fokine, criada especialmente para Vaslav Nijinsky. Mas são coreografias que, praticamente, não exigem mais nenhum esforço dos bailarinos pela quantidade de vezes que já foram dançadas. Dessa forma, a apresentação da Morte do Cisne, de Fokine, reforça apenas a necessidade de se exibir o tradicionalmente conhecido. Resta agora esperar a promessa da DellaArt, de Myrian Dauelsberg, de trazer ao Recife, em outubro, a Orquestra Sinfônica da Rádio de Berlim. Não é a Filarmônica de Berlim, mas tem excelentes cordas. |
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