Integrante do primeiro trio instrumental bossa-novista, pianista gravou O barquinho
O pianista Luiz Carlos Vinhas, de 61 anos, que teve a morte cerebral detectada pelos médicos, após um eletroencefalograma realizado no início da noite de segunda-feira, no Hospital Samaritano, em Botafogo, foi um dos pioneiros da bossa nova e fez sucesso nos anos 60, como integrante do trio Bossa Três, primeiro conjunto instrumental do movimento, que se completava com o baixista Tião Neto e o baterista Edison Machado ambos já falecidos.
Vinhas teve parada cardíaca no último sábado, após uma cirurgia para correção de hérnias abdominal e ingnal, de rugas nos olhos e retirada de gordura do pescoço, na Clínica Interplástica, em Botafogo, na zona sul. Ele entrou em coma cerca de duas horas depois da operação.
Ainda jovem, aos 18 anos, ele se lançou como músico e participou de uma das primeiras gravações da bossa nova: a música O barquinho, em 1958. Com o Bossa Trio, excursionou pelos Estados Unidos, participou do famoso programa Ed Sullivan Show e gravou três doiscos em Nova Iorque, pelo selo High Fidelity. De volta ao Brasil, gravou com Jorge Ben, Wilson simonal, Quarteto em Cy, Maísa e Elis Regina.
Nos anos 70 e 80, Vinhas viveu fora do Brasil, aproveitando o sucesso da música brasileira, mas na década de 90 voltou ao País e apresentava-se em casas com piano-bar. Seu último disco saiu em janeiro deste ano, ainda com a participação de Tião Neto e da cantora Wanda Sá, outra pioneira da Bossa Nova. Chamava-se Wanda Sá e Bossa Três - A Música Brasileira no Japão e tinha regravações de clássicos como Errinho à toa, Canção que morre no ar, Foi a noite, Fotografia e Estrada do Sol. O lançamento em São Paulo ocorreu em março, última temporada de Vinhas na cidade.