Trabalhadores rurais de dez Estados ocuparam a Adene para reivindicar a inclusão de mais famílias no Programa Bolsa-Renda e o aumento do valor pago
Cerca de mil trabalhadores rurais ocuparam o térreo do prédio da Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene), antiga Sudene, no Engenho do Meio, ontem de manhã. Os agricultores, ligados às Federações dos Trabalhadores na Agricultura de dez Estados (Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Ceará, Piauí, Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo) reivindicam a inclusão de mais famílias no Programa Bolsa-Renda e o aumento do valor pago a cada uma – de R$ 60 para R$ 180 –, entre outros pontos. Como não houve negociação, os manifestantes decidiram permanecer no local até que sejam agendadas reuniões com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann.
“Vamos ficar no prédio o tempo que for preciso para que nossas reivindicações sejam atendidas. Viemos dispostos a dormir aqui, se for necessário. Entregamos a pauta em abril e não tivemos nenhuma resposta do Governo Federal”, ressaltou o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape), Antônio Marques dos Santos. “A negociação só começa quando os agricultores saírem. É o mínimo de bom senso que pedimos. Estamos dispostos a conversar, mas não num ambiente hostil”, declarou o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário no Nordeste, Guerino Edécio.
Faixas, cartazes, plantas secas e carro de som foram os meios utilizados pelos trabalhadores para chamar a atenção do Governo Federal. A ocupação, que começou por volta das 9h30, foi pacífica. Do lado de fora, 31 PMs do Batalhão de Choque e da Radiopatrulha ficaram de prontidão, mas não chegaram a impedir a entrada dos trabalhadores no prédio. Durante a manhã, apenas quatro seguranças de uma empresa privada controlavam o acesso dentro do edifício. À tarde houve reforço, com a chegada de mais 60 PMs, que se posicionaram em frente às catracas instaladas próximas aos elevadores.
Os agricultores também denunciaram casos de violência em alguns Estados, em conseqüência do não-pagamento da bolsa-renda. “Um trabalhador foi morto em Sussuapara e outro apanhou na cidade de São Francisco de Assis, pois houve brigas por causa do atraso do pagamento”, relatou o presidente da federação do Piauí, Adonias Higino.