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BRASÍLIA TEIMOSA
Emhape garante conjunto antes da ressaca de 2002

O condomínio será construído em um terreno localizado por trás do DNER, no bairro do Pina. As obras terão um custo de R$ 3 milhões e serão iniciadas em outubro próximo, logo após a conclusão do processo licitatório

Passado o período da ressaca do mar, que destruiu dez palafitas e deixou 38 famílias desabrigadas em Brasília Teimosa, os moradores do bairro receberam uma boa notícia. O presidente da Empresa de Melhoramentos Habitacionais de Pernambuco (Emhape), Marco Túlio Veras, assegurou, ontem, que a construção do conjunto habitacional destinado à comunidade será iniciada em outubro próximo, logo após a conclusão do processo licitatório. Os 15 blocos, cada um com quatro pavimentos e quatro apartamentos por andar, serão erguidos em um terreno localizado por trás do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), no bairro do Pina. O prazo para entrega do conjunto é 12 meses, ao custo de R$ 3 milhões. A distribuição dos imóveis ficará a cargo do Governo do Estado e da Prefeitura do Recife.

De acordo com o presidente da Emhape, a verba já está garantida. “O projeto prevê 240 unidades, mas é possível que venhamos a construir outras 96. A área livre que se destinará ao estacionamento poderá receber novos prédios posteriormente”, afirmou. A secretária-adjunta de Planejamento do Recife, Luciana Azevedo, declarou que a construção do conjunto exigirá uma integração entre prefeitura, Emhape e Governo do Estado. “A expectativa é que no ano que vem esse problema esteja superado”, concluiu.

RECONSTRUÇÃO – A maré, que atingiu 2,5 metros às 5h20 de ontem, não causou maiores estragos no bairro. A Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, técnicos da Secretaria Municipal de Saúde e integrantes do conselho de moradores ficaram de prontidão para atender os moradores das palafitas. Nenhuma ocorrência grave foi registrada. A ausência de ventos fortes contribuiu para que os danos causados pela maré fossem minimizados. “Ontem o mar derrubou a minha casa. Restaram algumas tábuas e vamos tentar reconstruir quando a maré baixar. Meu filho vendeu até a bicicleta para fazer o barraco. Quando tudo caiu ele me perguntou ‘e agora, mãe?’ ”, relatou Maria do Socorro dos Santos Silva, artesã, há três anos morando numa palafita.

A maioria dos moradores dos barracos à beira-mar preferiu ficar dentro de casa. Na sede do conselho de moradores, 36 famílias foram alojadas em dois salões. De acordo com o tenente George Vitoriano, que comandou a operação, a madrugada da terça-feira foi considerada tranqüila em relação ao dia anterior.

A maior dificuldade para os líderes comunitários foi conseguir cobertores, colchões e alimentação para atender todos os desabrigados. Segundo o vice-presidente do conselho, Antônio Rodrigues da Silva, apenas a Legião Assistencial do Recife (LAR) contribuiu com mantimentos e roupas. “Precisamos da ajuda de todos. Qualquer doação deve ser encaminhada para a sede do conselho”, apelou.

Na orla de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, a fúria do mar voltou a derrubar parte do calçadão. Mais de 300 metros do passeio foram destruídos nos últimos meses e a situação está atormentando os moradores da área. Além de quebrar o paredão de concreto, a maré está levando as pedras utilizadas como fundação dos muros das casas e prédios da beira-mar.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.08.2001
Quarta-feira