Ministério do Desenvolvimento Agrário estuda aumentar o valor da ajuda, mas descarta a possibilidade de igualá-lo ao salário mínimo, como querem os agricultores
O aumento do valor da bolsa-renda, como querem os agricultores que invadiram ontem o prédio da Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene), não está descartado, mas não deve chegar a um salário mínimo. “Essa reivindicação está na pauta do ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, mas não para os R$ 180 como pedem os trabalhadores. Ele está empenhado em ampliar as verbas destinadas ao pagamento do bolsa-renda. O problema é que a bolsa é uma ação emergencial. Nossa preocupação agora é com o desenvolvimento de projetos permanentes para que os agricultores sejam capazes de retomar suas produções”, explicou o representante do ministério na Região Nordeste, Guerino Edécio.
A ampliação do benefício de 732 mil trabalhadores para dois milhões - outra reivindicação dos agricultores - também é um assunto que vem sendo discutido dentro do ministério, segundo Guerino Edécio. “Há um esforço para atender os agricultores. Mas sem estar no pico da seca, as ações não podem ter a mesma magnitude. O programa bolsa-renda é transitório. É preciso levar em conta que se houver o aumento no valor do benefício, o número de famílias atendidas pode diminuir”, ressaltou. O Ministério do Desenvolvimento Agrário deverá gastar R$ 44 milhões com o programa, atendendo 864 municípios dos 1.031 atingidos pela seca.
Os agricultores reclamaram que muitas bolsas referentes ao mês de julho ainda não foram pagas. Conforme Guerino Edécio, o cadastramento terminou no dia 9 de agosto e o pagamento deverá ser feito até o final deste mês. Em relação à implantação de um programa de alfabetização para os trabalhadores, o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário garantiu que já existem projetos nessa área.
“Há o Recomeço, um programa de alfabetização de jovens e adultos, que atende os trabalhadores rurais. Somente este ano serão gastos R$ 190 milhões”, afirmou. Ele disse também que estão sendo feitos contatos com as bancadas federais para que sejam alocados recursos destinados à realização de obras hídricas.