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OTÁVIO DE FREITAS
Denunciada precariedade em hospital

Os integrantes do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Seguridade Social de Pernambuco (SindSaúde) pretendem apresentar hoje, na reunião do Conselho Estadual de Saúde, um documento apontando o que consideram provas da precariedade do atendimento oferecido no Hospital Otávio de Freitas (HOF), em Tejipió, Zona Sudoeste do Recife. O documento contendo as denúncias deverá ser entregue ao secretário estadual de Saúde, Guilherme Robalinho, que também preside o conselho.

As principais acusações do sindicato se referem ao funcionamento da Emergência, onde a demanda maior do que a capacidade de atendimento superlota os corredores do setor. Outro problema seria a permanência de pacientes de tuberculose e alcoolismo – enfermidades nas quais o HOF é referência no Estado – dividindo um espaço pequeno com portadores de outras doenças.

O SindSaúde alega ainda que os profissionais da Emergência estariam sobrecarregados com a quantidade de atendimentos; faltariam equipamentos indispensáveis no setor, como oxímetros e respiradores; e o total de leitos disponíveis na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) seria insuficiente, assim como o número de médicos e auxiliares de enfermagem.

“O Otávio de Freitas é o único hospital de grande porte na periferia. Ele é a porta de entrada da cidade e recebe gente da comunidade e de lugares como Escada, Cabo de Santo Agostinho, Ribeirão e Palmares”, informa o diretor do SindSaúde Marcos Lira. “A situação está tão difícil que já aconteceu de médicos novos chegarem e não passarem mais de um dia no atendimento”, conta.

O clínico geral José Tenório confirma o que Lira diz e acrescenta. “Trabalho aqui desde 1997 e as coisas estão cada vez piores. Aumentou o número de pacientes e diminuiu o de médicos. Em alguns plantões, deveriam trabalhar, no mínimo, cinco clínicos, mas há apenas dois”, exemplifica. “Pacientes com crises provocadas pela abstinência alcoólica já se estapearam com outros doentes nos corredores.”

RESPOSTA – A diretora geral do HOF, Maria do Carmo Andrade de Campos, contesta as afirmações do SindSaúde. “As denúncias de que faltam equipamentos e materiais não procedem. Estamos recebendo vários aparelhos, alguns de última geração. Em um ano e meio de trabalho, fomos auditados três vezes pelo Tribunal de Contas do Estado e Ministério da Saúde, que não encontraram nenhuma irregularidade”, argumenta.

“Saneamos financeiramente o hospital e temos uma oferta de leitos suficientes para a demanda. No entanto, vivemos um momento crítico, com a unidade em reforma e outros quatro hospitais em greve. As pessoas também estão perdendo poder aquisitivo e passando a se valer do Sistema Único de Saúde, que não estava preparado para receber mais os ex-usuários de planos privados de saúde”, explica.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.08.2001
Quarta-feira