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POLUIÇÃO
Estudo condena 40 matadouros

Vistoria realizada em 48 estabelecimentos do Estado recomenda a manutenção de apenas oito deles. Resultados foram apresentados ontem na reunião do Consema

Levantamento realizado em 48 matadouros do Estado revela que nenhum deles tem sistema de tratamento de efluentes. O estudo, realizado nos últimos dois anos, foi apresentado ontem na reunião do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema). Segundo o trabalho, que recomenda o fechamento de 40 desses matadouros, os dejetos são descartados no solo ou nos rios.

Os matadouros vistoriados pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) também não possuem água potável. “Para se abater um boi, é preciso dois mil litros de água limpa. Alguns desse matadouros nem água possuem, dependendo exclusivamente de caminhão-pipa”, afirma o coordenador do trabalho, o veterinário Paulo Foerster.

As vistorias, realizadas em municípios do Agreste, Sertão, Zona da Mata e Grande Recife, iniciaram a partir de um convênio do CRMV com o Ministério Público Estadual. “Recebemos muitas denúncias de matadouros irregulares. O convênio com o CRMV veio facilitar as investigações”, explica o responsável pela Coordenação de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público, Geraldo Margela.

Segundo Foerster, a falta de água potável pode causar contaminação da carne. “O tratamento da água nos matadouros é fundamental para evitar doenças como a salmonelose (infecção causada pela bactéria Salmonella) e a hepatite”, diz. “E não adianta apenas botar cloro na água. Um sistema de tratamento completo envolve outras etapas, como a filtragem e decantação”, explica.

O estudo sugere que 40 dos matadouros sejam fechados. “Os outros podem ser reformados e transformados em matadouros regionais”, diz Paulo Foerster. De acordo com o médico veterinário, a implantação de matadouros regionais é um recomendação a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

“Manter matadouros municipais é tecnicamente, economicamente e administrativamente inviável”, considera. Isso porque a quantidade de animais abatidos – em média 20 por semana – é pouca para cobrir as despesas com manutenção. Foerster acredita, no entanto, que cada município deve manter uma câmara frigorífica para armazenar a carne dos animais abatidos em outras cidades.

DESCOMPASSO – Apesar das recomendações do CRMV, a Secretaria de Produção Rural e Reforma Agrária está implantando 25 matadouros em Pernambuco, dos quais 12 já estão em fase de construção. Para o diretor de Defesa e Fiscalização Agropecuária da secretaria, Antônio Félix da Costa, os matadouros regionais aumentariam o custo da produção de carne. “Isso porque seria preciso transportar o boi e, depois, a carne”, esclarece.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.08.2001
Quarta-feira