As empresas poderão ser multadas em até R$ 3,19 milhões. Governo debate o problema
SÃO PAULO - O Governo poderá multar as empresas que não informaram claramente mudanças nas quantidades dos produtos ou que tiveram nitidamente formado cartel para manipular preços, através da alteração das embalagens.
A ameaça foi feita ontem pelo secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, após um encontro que reuniu o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, fabricantes de biscoitos e de papel higiênico e representantes de órgãos fiscalizadores.
No primeiro caso, a multa poderá variar de 200 (R$ 212,82) a 3 milhões de Ufirs (R$ 3,19 milhões). No segundo caso, a multa varia de 1% a 30% do faturamento anual da empresa. Amanhã, haverá uma reunião em Brasília com o Ministério da Justiça, órgãos fiscalizadores e fabricantes de biscoitos para tentar chegar a uma padronização das embalagens.A indústria de biscoitos reúne-se hoje em São Paulo para tentar encontrar soluções para o problema, segundo o presidente da Associação Nacional da Indústria de Biscoitos, Cid Maraia de Almeida.
A investigação sobre a possível formação de cartel por parte dos fabricantes de papel higiênico prossegue. Há indícios de que os três maiores fabricantes do setor tenham mudado as metragens dos rolos, de 40m para 30m, de forma coordenada. “A questão de preço não entra na discussão, porque eles estão livres, mas a mudança deve ficar clara para o consumidor”, disse Considera.
O problema, porém, pode ser mais amplo, segundo denúncia da coordenadora do Movimento das Donas de Casa de Minas Gerais, Lúcia Pacífico. Segundo ela, por informações de consumidores, existiriam também alterações em outros itens, como achocolatados, fraldas descartáveis, sabonetes, desodorantes, extratos de tomate, caldo de galinha, cera em pasta, sardinhas, pães de fôrma e rações para cachorro.