Apesar de o Governo acenar com o aumento, os servidores federais de todo o País entram em greve por tempo indeterminado a partir de hoje. “Ninguém está levando em consideração esse reajuste porque ele é uma palhaçada diante do que a gente está pedindo. Isso termina sendo apenas um mote para a nossa mobilização”, diz a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Pernambuco (Sindsepe), Ana Paula Pontes.
A paralisação estava programada há um mês, tempo em que os sindicatos estiveram fazendo mobilizações nas repartições. Em Pernambuco, existem cerca de 22 mil dos 1 milhão de servidores públicos do País. Os funcionários da área de Saúde e da Previdência já estão parados.
Segundo o Sindsepe, entram em greve hoje os servidores da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), Justiça do Trabalho, Incra, Ibama, Ministério da Fazenda, Ministério da Agricultura e do Abastecimento, Funai e Cefet (antiga Escola Técnica). O sindicato estima uma adesão inicial à paralisação de 60% a 70% da categoria.
A emenda 19 da Reforma Administrativa do Governo Federal, criada em 1998, institui que os servidores públicos tenham uma data-base anual para que seja negociada a reposição das perdas salariais do período. Apesar da emenda, a categoria ainda não tem data-base e está há sete anos sem qualquer aumento nos vencimentos.
Se forem levados em conta os sete anos, as perdas chegam a 75,48%. Porém, se o cálculo for feito apenas após a emenda 19, a desvalorização dos salários fica em 33%. “Sabemos que a União pode gastar até 50% da Receita Corrente Líquida (RCL) com o pagamento dos servidores e hoje gasta apenas 38%”, afirma a presidente do Sindsepe, usando os percentuais como argumento de que o Governo Federal tem condições de elevar o valor do reajuste.