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COMPORTAMENTO III
As receitas das letradas

ABACAXI À EDGAR ALLAN POE

INGREDIENTES

1 abacaxi grande maduro cortado em rodelas; ½kg de presunto fatiado (fatias finas); 2 colheres (de sopa) de açúcar; 3 cravos-da-Índia; 1 xícara de chá de água; ½kg de ameixa preta seca sem caroço; 1 lata de creme de leite; 1 colher (de sopa) de manteiga

Descascar o abacaxi e cortar em rodelas, calculando uma rodela por pessoa. Numa panela, ferver por quatro minutos as rodelas de abacaxi com uma xícara de chá de água, a colher de açúcar e os cravos-da-Índia. Retirar do fogo.

Untar com a manteiga uma vasilha refratária. Com um garfo, retirar cada rodela de abacaxi da panela e ir colocando na vasilha, uma ao lado da outra. No centro de cada rodela, colocar uma ameixa. Fazer rolinhos com as fatias de presunto e colocar dois sobre cada rodela, um de cada lado da ameixa.

Abrir a lata de creme de leite, verter numa vasilha e mexer bem para ficar liso e fino. Juntar o creme de leite à calda que ficou na panela em que ferveu o abacaxi. Regar as rodelas de abacaxi com essa mistura e levar ao forno quente. Quando começar a borbulhar (depois de dez minutos), desligar o forno. Servir quente em pratinhos individuais.

RENDIMENTO

Seis a oito porções.

NOTA

Essa é uma das receitas que estão no livro Professoras na Cozinha, da filósofa Marilena de Souza Chauí e sua mãe, Laura. Uma dica da autora: “Você pode comprar abacaxi fatiado em lata ou em vidro. Nesse caso, dê a fervura nele com a água em que vier e mais os cravos-da-Índia e guarde essa mistura para juntar ao creme de leite, no momento de regar as rodelas. Se fizer com abacaxi fresco, veja se apenas um abacaxi será suficiente para o número de convidados, pois as rodelas não devem ser muito finas e para cada pessoa será preciso uma fatia.”

Abaixo, outra receita de Marilena:

‘BABAGANUCHE’ (a pasta árabe de berinjela)

INGREDIENTES

1 berinjela; 2 dentes de alho amassados; 1 colher (de sopa) de azeite de oliva; 1 colher (de sopa) de azeite de gergelim (taíne ou tahine); suco de ½ limão; sal e pimenta síria (ou pimenta-do-reino acrescida de uma pitada de canela em pó) a gosto

Assar a berinjela em forno quente. Ainda morna, descascá-la e amassar bem com um garfo. Temperar com o sal, o alho amassado, a pimenta síria, o azeite de oliva, o óleo de gergelim batido e o suco de limão. Servir com o pão árabe.

RENDIMENTO

Quatro porções.

‘CALAMARES EN SU TINTA’

INGREDIENTES

1kg de lulas miúdas; 1 cebola picada; 2 dentes de alho picados; sal que baste; azeite de oliva; um cálice de vinho branco seco (opcional)

Limpar bem as lulas, com muito cuidado, retirando as tripas e um bolinho duro que ela tem na cabeça, mas deixando intactas as bolsas de tinta. Cortar em pedaços miúdos e temperar com sal.

Fazer um refogado com o azeite, a cebola, o alho e, quando a cebola estiver transparente, diminuir ao máximo o fogo e jogar as lulas, mexendo bem. Aos poucos e lentamente, no calor da panela, as bolsas de tinta vão estourando e vai se formando um molho preto e farto. Em cinco minutos, podem ser provadas.

Assim que estiverem bem macias, servir com arroz branco. Se as lulas forem muito graúdas e a proporção de tintas insuficiente para um caldo abundante, acrescente vinho, um pouco antes de tirar do fogo. Quando os comensais começarem a gemer de prazer, é bom lembrar que não há nesse momento mil famílias com tanta sorte. Faça o que achar conveniente com a consciência desse privilégio.

NOTA

Esse é um dos pratos internacionais da escritora Ana Maria Machado, uma cozinheira erudita que lê receitas em vários idiomas. A receita foi um presente do filólogo Antonio Houaiss depois que ela traduziu para a Enciclopédia Delta-Larousse, que ele coordenava, o verbete cefalópodes, sobre polvos, lulas e sépias. As lulas na tinta, como fazem os espanhóis, são raras no Brasil, porque, segundo Ana Maria, a limpeza à moda portuguesa, com a retirada da tinta, inviabiliza o prato. O segredo é cozinhar as lulas no fogo mais brando possível, por vezes até levantando a panela para afastá-la da chama — pelo menos na fase inicial, quando as bolsas de tinta estão estourando.

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Jornal do Commercio
Recife - 19.08.2001
Domingo