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TECNOLOGIA
Os vinte anos do PC mais pareceram séculos

Desde a apresentação do pioneiro IBM-PC, em 1981, até hoje, foram muitas as transformações sofridas pelo computador pessoal. Nem parece que só se passaram duas décadas

por MONA LISA DOURADO
mldourado@jc.com.br

Parece que já faz pelo menos meio século. Tamanhas foram as transformações que o computador pessoal suscitou no campo do trabalho, do estudo e do lazer que fica difícil imaginar que ele tenha apenas 20 anos de existência. Recém-saído da adolescência, o PC, tal como o concebemos hoje, foi apresentado ao mundo pela IBM em 12 de agosto de 1981, sem que se tivesse vislumbrado o sucesso instantâneo que ele alcançaria.

Depois de constatar que o computador começava a marcar forte presença nas empresas, a IBM resolveu se adiantar ao mercado e lançar um produto que também pudesse ser incorporado ao cotidiano das pessoas no ambiente familiar. Foi assim que encarregou uma equipe de doze experientes engenheiros para concretizar o projeto de disponibilizar em tempo recorde uma máquina pequena, acessível, expansível e, sobretudo, competitiva.

Reunidos em Boca Raton, na Flórida, em apenas um ano os especialistas deram vida ao IBM-5150, ou simplesmente IBM-PC, termo pelo qual ficou conhecido e que acabou por popularizar a sigla PC como sinônimo de computador de mesa.

Diante do curto prazo de criação e da exigência de baixo custo final, o primeiro PC doméstico não tinha nada de sofisticado. Muito pelo contrário, foi montado com prozaicos componentes eletrônicos já existentes no mercado, fator que contribuiu para a decisão de projetá-lo como um sistema aberto, permitindo a qualquer interessado em criar placas de expansão, periféricos ou novos programas ter acesso aos detalhes de hardware e software do equipamento.

Não demorou muito para que o IBM-PC se consolidasse como padrão mundial de micro-computadores pessoais, fenômeno que a empresa não imaginou nem nas suas previsões mais otimistas. Assim é que qualquer dos mais arrojados micros do século XXI, baseados em Windows, ainda são capazes de rodar os mesmos programas feitos para o IBM-PC original, cuja configuração trazia processador 8088 de 4.77 MHz da Intel, 16 kilobytes de memória expansíveis a 256 KB, barramento de 8 bits e sistema operacional DOS 1.0.

‘Pré-destinado’ a superar expectativas, o IBM-PC atingiu mais de US$ 241 mil de faturamento em um único mês, marca que só era esperada para cinco anos após o lançamento. O sucesso sem precedentes do equipamento logo deu origem a sucessores, como o modelo XT, equipado com disco rígido de 10 MB e 256 KB de memória RAM, e o AT, atualização mais robusta que introduziu o processador 80286 com 6 MHz de freqüência e o barramento de 16 bits.

Graças à arquitetura aberta da máquina, no entanto, outras fabricantes passaram a disputar sua fatia nesse mercado, criando clones cada vez mais potentes do equipamento original da IBM, o que reduziu a participação da empresa a 7,2% das vendas mundiais de micros.

Presença indispensável em todos os setores da vida moderna atualmente, o PC tem sido também um elemento fundamental para a expansão de novas tecnologias. Que o diga a World Wide Web (www) e o correio eletrônico, que, embora não dependam dele para existir, sem dúvida devem ao micro sua popularização. A partir do computador, ainda, desenvolveram-se uma série de outros dispositivos menores e mais baratos, como notebooks, handhelds e palmtops, que prometem um dia aposentar o PC, mas que nem de longe carregam a mesma versatilidade do micro tradicional.

Por mais que se inove em recursos, portanto, no interior de cada computador atual, pelo que tudo indica, ainda residirá por muito tempo a alma do velho e bom IBM-PC.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.08.2001
Quarta-feira