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DESRESPEITO AO CLIENTE
PSINet fecha e usuário fica na mão

Fim dos serviços da subsidiária não foi comunicado aos clientes, que estão sem conexão desde a semana passada e receberam “recomendação” de contratar outra empresa

por BRUNA CABRAL
bruna@jc.com.br

Depois de pedir concordata no mercado americano, a PSINet fechou as portas de sua subsidiária brasileira nesta segunda-feira. O anúncio pegou de surpresa não só funcionários, mas também clientes, que ficaram sem conseguir acessar a Web desde a semana passada e agora correm contra o tempo em busca de uma outra alternativa de conexão. Em comunicado oficial, enviado à imprensa, a empresa explicou que o motivo da decisão foi o insucesso das negociações que estavam sendo travadas com investidores internacionais e brasileiros.

A PSINet não só não avisou a decisão aos clientes, como recomenda simplesmente que eles contratem outros serviços. Está na nota oficial: “Subcontratar os serviços que até então vinham sendo prestados através de empresas locais.” Ou seja, cabe agora às empresas correr atrás de provedores que emprestavam infra-estrutura à PSINet para garantir sua permanência no ciberespaço.

Muitos clientes ficaram sabendo do encerramento das atividades do provedor pela mídia. Foi o caso da Universidade Aeso, que mantinha um link de rádio hospedado na PSINet. “Desde a última quinta-feira o serviço estava fora do ar e não conseguíamos retorno do suporte da PSINet”, afirma o coordenador do curso de Informática da Aeso, Leopoldo França. “Na sexta-feira, fomos lá pessoalmente e recebemos a informação de que o problema seria da Embratel, mas nada se resolveu e, de repente, fomos surpreendidos pela notícia do fechamento da empresa, sem receber satisfação alguma”, conta. “É muita falta de respeito.”

A situação dos 12 funcionários que atuavam no escritório do Recife é igualmente caótica. Eles só foram comunicados na segunda-feira, quando tiveram que retirar seus pertences das salas e deixar o local, apesar de ainda não terem nenhuma informação de como a empresa procederá para indenizá-los. Eles decidiram esperar pelo posicionamento oficial da PSINet até sexta-feira. Se nada for definido, recorrerão à Justiça. Nos outros 10 escritórios do provedor no Brasil a confusão é a mesma. Ou pior. Em alguns, até a polícia foi chamada para acalmar os ânimos dos funcionários, 200 ao todo.

A situação da PSINet era crítica há muito tempo. A crise começou com a aquisição de 11 empresas da área de dial-up, que deixaram o provedor com uma estrutura inchada. As primeiras tentativas de recuperação foram a demissão de parte da equipe e a venda da base de assinantes domésticos para outro provedor, a Inter.net. Mas nada adiantou. Em 2000, foram vendidas as unidades do Canadá e Hong Kong, o CEO foi substituído e a empresa acabou amargando prejuízo de US$ 5 bilhões. Este ano, as quedas da Nasdaq foram a gota d’água. A matriz americana pediu concordata no primeiro semestre e depois começou as negociações de venda da subsidiária brasileira. Na falta de entendimento com os grupos interessados, não houve outra escolha, a não ser fechar as portas. É como diz o comunicado: “A PSINet não conseguiu chegar a um acordo com as empresas interessadas e, devido às restrições existentes atualmente, tais como: falta de capital, investimentos e outros recursos financeiros, decidiu encerrar as operações no Brasil”.

Já as atividades da Inter.Net não serão afetadas. Pelo contrário. “Agora o mercado vai entender, enfim, que a Inter.Net é uma entidade independente”, afirma o presidente do provedor, Clóvis Lacerda. A separação das duas empresas foi totalmente encerrada na semana passada, quando as últimas máquinas que estavam na PSINet foram transferidas para a Inter.Net.

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Jornal do Commercio
Recife - 22.08.2001
Quarta-feira