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RUMO A 2002 III
Pefelistas festejam declaração de Maciel

O PFL de Pernambuco amanheceu ontem em clima de alto astral. Tudo por causa das declarações do vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL), que confirmou – durante o encontro nacional do partido, anteontem, no Recife – sua disposição de disputar um novo mandato em 2002, descartando a hipótese de abandonar a política em troca de um cargo (vitalício) de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Na realidade, a notícia não pegou ninguém de surpresa. Ao comentar as declarações do vice-presidente, ontem, cada pefelista deixou claro que se tratava apenas da confirmação de um fato que já davam como certo. As declarações, porém, foram vistas como um primeiro passo do vice rumo a 2002. Apesar de descartado o STF, permanece o suspense, porque mesmo cientes de que Maciel será candidato, há as opções do Senado e da Câmara Federal, e ninguém no PFL se arrisca a fazer um prognóstico sobre a escolha do cacique pefelista.

“Quem propõe que Maciel assuma um cargo no STF é um amigo da onça. Seria uma aposentadoria precoce. Ele é um animal político, um homem de partido. Tanto que jamais repudiou a possibilidade de disputar a Câmara Federal em vez do Senado”, analisou o ex-ministro Gustavo Krause. Para ele, um mandato de deputado federal não seria um desmerecimento, como analisam alguns macielistas. “Trata-se de um mandato popular. Dizer isso é discriminar uma série de pessoas”, advertiu.

Krause também considera uma “bobagem” acreditar que o presidente Fernando Henrique Cardoso possa trocar os últimos nove meses do seu mandato por uma disputa ao Senado, hipótese em que Maciel assumiria a Presidência. “FHC tem visão de Estado. Quando concluir seu mandato, sairá de cena, tornando-se uma referência. A história mostra que quando as emoções baixam, o homem cresce”, explicou, referindo-se à baixa popularidade com que conta hoje o presidente.

Ao contrário do ex-ministro, o presidente regional do PFL, deputado (licenciado) André de Paula, não descarta a alternativa de Maciel assumir a Presidência, mas prefere acreditar em nova candidatura, mesmo sem arriscar palpites. “Ele não decide nada antes do tempo. É seu perfil. Mas qualquer partido gostaria de ter um curinga como Marco Maciel, que pode disputar qualquer cargo”, afirmou André.

Principal interessado na decisão de Maciel, o deputado federal Joaquim Francisco (PFL) classificou como esperada a manifestação do vice-presidente. “Sempre achei que ele seria candidato ao Senado”, disse, acrescentando que apesar da disposição de Maciel, mantém seu projeto de também disputar um mandato de senador. “A discussão não se esgotou ainda. Até setembro temos tempo para avaliações.”

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Jornal do Commercio
Recife - 22.08.2001
Quarta-feira