A polêmica em torno da coleta de lixo do Recife chegou ao plenário da Assembléia Legislativa, ontem à tarde, e foi o assunto principal das discussões dos parlamentares. O deputado Paulo Rubem Santiago (PT) saiu em defesa do prefeito João Paulo (PT). “Eles (a oposição) querem criar um telhado de vidro para a administração municipal e vincular a Prefeitura do Recife à de São Paulo (referindo-se aos escândalos envolvendo a limpeza pública na atual administração da prefeita petista Marta Suplicy). Querem jogar o PT na vala comum da corrução. Por que fazem isso agora, se foram eles que licitaram a Enterpa?”, questionou, citando a empresa que faz a limpeza pública.
O petista fez questão de lembrar que a Enterpa monopoliza a coleta de lixo há vários governos ligados ao vereador Heráclito Cavalcanti (PFL), que encaminhou as denúncias sobre irregularidades na licitação ao TCE. “Quem tem que explicar qualquer coisa são os governos passados e não o PT”, ironizou. O petista disse que o “estranho” foi o governo do ex-prefeito Roberto Magalhães (PSDB) ter feito um edital para se licitar uma cota única. O deputado lembrou que João Paulo decidiu desmembrar as cotas para evitar o monopólio no setor.
“No passado eram duas cotas uma de 80% (do serviço de limpeza) e outra de 20%. Depois Magalhães juntou tudo em uma só. A prefeitura tinha duas opções: manter uma cota só ou diminuir a concentração. Optamos por reduzir a cota de 80% para 70%, criar uma outra cota de 19% e uma terceira só para entulhos”, explicou.
No entanto, Paulo Rubem foi criticado por André Campos (PTB) que “cobrou” uma postura diferenciada do Governo petista. “Sempre lutamos por isso (fim do monopólio) e o Governo de João Paulo não pode incorrer no mesmo erro da gestão de Magalhães”, falou, defendendo uma divisão em cinco ou seis cotas.
Augusto Coutinho (PFL) preferiu cobrar “coerência” de Paulo Rubem, que em outras ocasiões tem utilizado a tribuna para criticar o Governo do Estado. “Ele (Paulo Rubem) sempre acusa o Governo de ser corruto. Prefiro não acusar o prefeito (João Paulo), mas a questão precisa ser investigada”, afirmou.