RIO – Irmãs de Wagner dos Santos, sobrevivente da chacina da Candelária, Patrícia de Oliveira e Sônia Santos, foram impedidas pelas autoridades suíças de desembarcar em Genebra, na quarta-feira, e deportadas para o Brasil.
De acordo com Cristina Leonardo, advogada de Santos, que vive na Suíça, elas foram vítimas de preconceito e discriminação racial. A advogada preside a organização não-governamental Centro de Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes, no Rio de Janeiro.
As duas desembarcaram na noite de quinta-feira no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, e contaram o que ocorreu.
DETIDAS NA ALFÂNDEGA – De acordo com as irmãs de Santos, elas foram detidas na alfândega do aeroporto suíço e passaram a noite presas em uma cela, onde não tinham direito sequer a beber água. A polícia suíça teria alegado que as brasileiras levavam pouco dinheiro e teriam suspeitado que o objetivo delas na Suíça fosse a prostituição.
“Minha irmã pediu para se comunicar com o consulado brasileiro e eles disseram não ser possível”, afirmou Sônia, que, com Patrícia, pretendia se encontrar com o irmão, radicado na Suíça há seis anos.
Ele é um dos sobreviventes da chacina da Candelária, na qual oito meninos de rua foram assassinados a tiros, em julho de 1993. Santos é testemunha-chave do crime, pelo qual policiais militares são acusados.