Grupo foi formado e estimulado pelo empresário Franco Scornavacca, pai dos meninos, que já lançou Lulu Santos e Fábio Jr., entre outras estrelas
por ROSÁRIO DE POMPÉIA
O Brasil nunca foi um País produtor de grandes boy bands. O Dominó e o Polegar fizeram sucesso nos anos 80. Ambos despertaram gritinhos aqui e ali, mas nada demais. Fenômeno ‘boy band’ mesmo (assim como o termo que define esse tipo de grupo), só rolava em idioma estrangeiro: New Kids on the Block, Backstreet Boys...
Essa história mudou há um ano, com a chegada do KLB ao mercado fonográfico nacional: Kiko (22) no violão, guitarra e vocal; Leandro (20) voz e bateria; e Bruno (17) no baixo e vocal. Três garotos (boys) que estão dando conta do recado muito bem. Eles são bonitinhos, têm carisma e cantam sobre o tema de sempre: o amor.
Ao lado disso tudo, eles têm um trunfo a mais em relação aos seus antecessores: são filhos de Franco Scornavacca, 52, homem responsável pela consagração de muitas das estrelas do show biz nacional. Entre suas estrelas, estão Leandro e Leonardo, Lulu Santos, Zezé di Camargo e Luciano e Fábio Júnior.
Sem bola de cristal, mas com um taco melhor do que ninguém para descobrir quem fará sucesso de público e vendas, Franco desta vez encontrou a mina de ouro na sua própria casa.
Como prova disso, em menos de um ano, os três irmãos alcançaram 1,5 milhão de cópias vendidas do primeiro álbum; faturamento de R$ 1,8 milhão, mais de 800 fã-clubes espalhados pelo Brasil e mais de 150 shows por ano, que chegam a 15 mil pessoas, de acordo com o espaço.
Se esses números assustam os garotos? Não. “Isso já era aguardado, não tão rápido. Agora é trabalhar mais ainda para continuar no topo”, soltou Leandro, em entrevista, no Blue Tree Park, anteontem. “Não esperávamos que a identificação com o público fosse tamanha”, complementa Kiko, o mais velho.
SEGUNDO TRABALHO – Com o sucesso de Ela não está aqui, do primeiro álbum, ainda nas rádios e na boca do povo, o grupo fez show no Recife ontem, no Classic Hall. A apresentação serviu como cartão de visitas de lançamento do seu segundo CD, que já emplacou Minha Timidez, pelas FMs.
Para o novo CD, Kiko, Leandro e Bruno apostaram no mesmo time campeão de compositores do trabalho anterior: Juno, Augusto, Maurício Gasperini, além do produtor Piska. O disco traz inovações e uma maior inclusão de guitarras, cello e até batidas eletrônicas, como nas faixas Não dá mais e Agora é pra valer. Investida semelhante à que Sandy e Júnior também fazem no seu último disco.
O romantismo de sempre está presente em canções como I Love You e Seu nome – ambas com um quê de Roupa Nova. “Fomos influenciados por Beatles, Pink Floyd e Bee Gees. Eles não são da nossa época, mas nos inspiraram”, diz Kiko. Há ainda a regravação do sucesso Olhar 43, do RPM.
A admiração dos meninos pelos Bee Gees resultou em Te amo ainda mais, uma versão de I could not love you, do trio inglês. Além disso, pode-se dizer que nesse novo trabalho há uma maior ‘intromissão’ dos meninos. Das 14 faixas do álbum, cinco são de Kiko – Quero seu amor, a baladona acústica Em mim só dá você, Eu nunca te esqueci, Agora é para valer e Nem o tempo apagou.
DESCOBERTA – Desde pequenos, Kiko, Leandro e Bruno fazem aulas de música. Cheios de vontade de subirem no palco, os meninos insistiam que já estavam prontos para maratonas de shows. Porém, cauteloso como sempre, o pai-empresário pedia calma e tempo. Até que K, L e B, sozinhos, fizeram um CD-demo e lhe apresentaram. Surpreso, em 1999, o pai passou a divulgar o trabalho dos garotos. O KLB lançou o primeiro disco em julho de 2000. “Convivíamos com artistas constantemente, estava na veia. Se meu pai não fosse empresário-músico, não sei se seríamos o KLB”, conta Leandro.
Para poder cumprir uma agenda de 25 shows por mês, além da maratona de participação em programas de televisão, eles abandonaram o estudo. “Não temos tempo para estudar. Além disso, a música está em primeiro lugar. No próximo ano, vamos investir em uma carreira internacional, já está na hora. Em seguida, quem sabe vamos fazer um filme. O nosso lema é viver da música”, afirma Leandro.