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RACIONAMENTO
Governo faz aposta nas chuvas

Melhoria no nível dos reservatórios pesou na hora de a Câmara de Gestão da Crise de Energia reduzir meta de economia também no Nordeste

A decisão da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE) de reduzir a meta de racionamento também do Nordeste, de 20% para 17%, ou para 12% no caso das cidades turísticas, mostra que, na verdade, a situação começa a se aliviar na Região. A chuva que vem caindo, desde o início do mês, na cabeceira do Rio São Francisco, começa a reduzir a velocidade de queda dos reservatórios e a expectativa é que entre água o suficiente para se iniciar uma nova fase de enchimento das barragens.

Na última quinta-feira, durante o anúncio das medidas, o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, chegou a falar em vazão de 2 mil metros cúbicos por segundo em alguns trechos do Rio. Isso significa mais do que o dobro da água que, no período seco, saia da cabeceira para os reservatórios.

Em Sobradinho, por exemplo, a média das últimas semanas é de uma entrada de 1 mil metros cúbicos por segundo, para uma saída em torno de 1,1 mil metros cúbicos por segundo para a geração de energia. No auge da crise energética, Sobradinho só recebia 600 metros cúbicos por segundo de água. Em alguns dias, como a última quinta-feira por exemplo, a entrada de água chegou a ser maior do que a saída: 1,14 mil metros cúbicos por segundo contra uma saída de 1,11 metros cúbicos por segundo.

Com essa melhoria da situação, o Nordeste, economizando abaixo da meta de 20%, determinada anteriormente pela GCE, vem se afastando, cada vez mais do nível considerado crítico. A curva-guia, criada para estabelecer limites de armazenamento mínimo nos reservatórios, previa que, nessa época, o nível das barragens fosse 2,57 pontos percentuais abaixo do está sendo registrado que é de 7,43%.

No entanto, técnicos do setor ressaltam que esse certo alívio nos reservatórios não significa, necessariamente, que o Governo poderia reduzir ainda mais o percentual de racionamento. Em primeiro lugar, porque, no ano passado, as chuvas foram bastante intensas nos meses de novembro e dezembro, mas começaram a diminuir a partir de janeiro e, em fevereiro, pararam de vez. O período chuvoso no Alto São Francisco, historicamente, vai até abril, o que não aconteceu este ano.

Além disso, não será tão fácil economizar 17% ou 12% por causa do verão. Se no início do racionamento, o Nordeste conseguiu superar a meta 20%, agora até mesmo os 12% serão mais difíceis de se alcançar devido ao calor e à necessidade de que alguns aparelhos domésticos têm de consumir mais energia para manter o mesmo nível de funcionamento como a geladeira e o ar-condicionado.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.11.2001
Sábado