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MEDICAMENTOS
Remédios têm reajuste de até 368,75%, diz CRF

Pesquisa do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal mostra que laboratórios

descumpriram acordo com o Governo Federal para reajustar os preços em apenas 3,79%

O conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF) constatou que 2.105 medicamentos tiveram os seus preços reajustados para o consumidor em mais de 3,79% , percentual que foi estabelecido pelo Governo Federal. Os números fazem parte de uma pesquisa feita pelo Conselho que comparou os preços de 10 mil remédios.Segundo pesquisa do CRF-DF, o maior aumento foi para o antigripal Fluviral do Laboratório Virtu’s, que registrou um aumento de 368,75%. O remédio Glimepil do Laboratório Farmoquímica apresentou um reajuste de 104,24%.

O levantamento se baseou nos cadernos oficiais de preços da indústria que são utilizados pelas farmácias para estabelecerem o preço que será cobrado ao consumidor, podendo chegar, no máximo, no valor estabelecido nesse documento. O trabalho comparou as tabelas de novembro com as de outubro deste ano.

Dos 10 mil itens pesquisados, 7.044 medicamentos tiveram os seus preços reajustados. Eles são fabricados por 100 laboratórios. A pesquisa também constatou uma redução de preços em 1.446 remédios.

“O Governo Federal é o grande responsável pelo aumento do preço dos medicamentos, porque autorizou o reajuste e também não está fiscalizando o setor”, afirmou o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal, Antonio Barbosa.

Ele também denunciou que várias farmácias não estão oferecendo ao cliente a opção de comprar o genérico mais barato. O monitoramento dos preços dos medicamentos deveria ser feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Conselho vai denunciar o aumento de preços para a Câmara de Medicamentos do Ministério da Saúde, órgão que tem a atribuição de punir as empresas que praticam reajustes abusivos.

Segundo Barbosa, Existem cinco ou seis remédios que são iguais (apresentam o mesmo princípio ativo), mas têm nomes diferentes. A sugestão dele é que ao consultar o médico, o cliente peça para que seja indicado o nome de três ou quatro medicamentos diferentes. “O consumidor deve pesquisar e comprar no lugar que estiver mais barato”, afirmou.

INVESTIGAÇÃO – A Secretaria-executiva da Câmara de Medicamentos (Camed) vai iniciar hoje uma investigação preliminar para apurar eventuais irregularidades nos aumentos de preços dos medicamentos. Os representantes da Casa Civil e dos ministérios da Fazenda, Justiça e Saúde, que integram a Câmara, vão decidir qual será a forma de investigação e as possibilidades de abertura de processo administrativo contra os laboratórios. Caso sejam comprovadas as irregularidades, as empresas responsáveis serão punidas com multa de até R$ 3.192.300,00.

Estudos preliminares indicaram que os laboratórios podem ter aumentado os preços de seus medicamentos em percentuais superiores aos que foram autorizados pela Camed. No mês passado, a Câmara definiu parâmetros para o reajuste dos medicamentos. Esse reajuste foi autorizado de forma extraordinária por causa da alta do dólar acumulada desde o início deste ano. Os novos valores já estão divulgados nas revistas de preços consultadas pelas farmácias.

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Jornal do Commercio
Recife - 24.11.2001
Sábado