CARACAS – Altos representantes do Governo venezuelano acusaram ontem a oposição de esquentar o clima das ruas com distúrbios e criar conflitos sociais artificiais para desestabilizar o regime do presidente Hugo Chávez.
“Há setores que estão apostando no confronto e na desestabilização”, disse o ministro da Defesa, José Vicente Rangel. Acrescentou que existe um clima de conflitos artificialmente provocado nas ruas por setores radicalmente opostos a Chávez que, segundo o Governo, buscam criar o caos e provocar um eventual pronunciamento militar.
No entanto, Rangel negou enfaticamente uma eventual insurreição militar, alegando que isto é totalmente impossível e insistindo em que o Governo estendeu a mão aos setores da oposição para dialogar e resolver divergências.
Por sua vez, o ministro do Interior e Justiça, Luis Miquilena, em entrevista à imprensa conjunta com Rangel, advertiu que, supostamente, seus detratores tentam tirar proveito político dos protestos públicos, tentando gerar a anarquia.
Miquilena citou a manifestação convocada ontem pelo partido opositor Ação Democrática (AD), que culminou em sérios distúrbios de rua quando simpatizantes do presidente Chávez reagiram contra os manifestantes, e elogiou a intervenção da polícia no episódio. Segundo ele, alguns setores tentam converter em um problema de ordem pública qualquer tipo de protesto. “Para criar o caos social”, insistiu Miquilena.
Segundo pesquisas de entidades privadas, Chávez enfrenta um desgaste em sua popularidade, e a cúpula empresarial ameaça realizar uma greve nacional de protesto contra o Governo em 10 de dezembro próximo.