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MEMÓRIA
DAVID, O REPÓRTER

David Nasser foi um dos jornalistas mais conhecidos da imprensa brasileira em todos os tempos. Admirado, odiado e temido, ele fazia jus a esses e outros sentimentos. Foi mestre do que se convencionou chamar de ‘imprensa marrom’. Ao lado do fotógrafo Jean Manzon, na revista O Cruzeiro, ele criou um estilo de reportagem nem sempre fiel à realidade dos fatos. Não poucas vezes, Nasser criava os fatos, que tanto poderia ser uma entrevista que nunca lhe foi concedida quanto matérias sensacionalistas sobre índios com rabo de macaco (sic), supostamente descobertos na Amazônia. David Nasser criou uma escola dentro da revista O Cruzeiro. A trajetória dele e da revista são contadas pelo jornalista Luiz Maklouf Carvalho, no livro Cobras Criadas. Pela O Cruzeiro passaram os maiores nomes do jornalismo brasileiro até os anos 60, de Rachel de Queiroz a Jânio de Freitas, até Millor e Hélio Fernandes. O “turco” David Nasser era a estrela da redação, o preferido de Assis Chateaubriand. Ele se destacaria também como letrista de inúmeros clássicos da música popular, entre eles Atiraste um pedra, Hoje quem paga sou eu, Baião da Penha. Essa é uma de suas poucas facetas elogiáveis, além do texto ágil, objetivo e comunicativo. Havia também o Nasser metido em negociatas, direitista, e que no seu velório, teve o ataúde coberto com a bandeira da famigerada Escuderie Le Coq, o esquadrão da morte do Rio de Janeiro.

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Jornal do Commercio
Recife - 25.11.2001
Domingo