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TEMPO DOS FLAMENGOS III
José Gonsalves teve grande incentivo do primo Gilberto Freyre

Presidente de honra do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, José Antônio Gonsalves de Mello é sócio da entidade desde 1943 e assumiu a presidência em 1965. Professor aposentado da UFPE, ele é bacharel em direito e enveredou pelas pesquisas históricas por influência do primo Gilberto Freyre.

“O embrião de Tempo dos Flamengos nasceu quando ele fez pesquisas para o livro Casa Grande & Senzala”, declara o arqueólogo Ulysses Pernambucano, filho do historiador. No lançamento do livro, o autor será representado pelo neto mais velho, o secretário da Embaixada do Brasil em Roma (Itália), João Alfredo dos Anjos. José Antônio está hospitalizado há dois meses com uma pneumonia que tem se mostrado resistente ao tratamento.

Este ano, o historiador vendeu o núcleo central de sua biblioteca ao empresário Ricardo Brennand, que está abrindo uma fundação em Pernambuco voltada para o período holandês. São cerca de quatro mil livros (várias obras raras) holandeses, ingleses, portugueses e brasileiros.

“É um conjunto temático fechado e talvez a única biblioteca particular especializada no período holandês”, diz Ulysses. José Antônio tinha receio que a família não conseguisse manter a integridade do conjunto e queria que os volumes ficassem em Pernambuco. “Os livros ficarão acessíveis ao público e servirão para produção de pesquisas, como ele queria.”

Na avaliação de Ulysses Pernambucano, a tradução de Tempo dos Flamengos é importante por divulgar o trabalho do historiador e por representar uma abertura dos Países Baixos para o tema. “A Holanda está olhando para as cicatrizes sem pudor.”

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Jornal do Commercio
Recife - 25.11.2001
Domingo