Desde que o recadastramento foi elaborado e a MC Consultoria contratada, no início do segundo semestre do ano passado, ficou estabelecido entre a Junta Comercial do Estado de Pernambuco (Jucepe) e demais participantes do processo o quanto cada um deveria receber do total arrecadado com as taxas pagas pelas empresas. A reportagem do JC teve acesso a documentos que mostram que o contrato estabelece que, do valor pago por empresa no recadastramento, a Jucepe receberia R$ 3, enquanto a Associação Comercial de Pernambuco (ACP) e a Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio) receberiam R$ 1,75 cada uma.
Pelas contas, a ACP e a Fecomércio receberam R$ 130 mil cada e a Junta arrecadou R$ 298 mil. No início do ano, foi dito que o valor seria repassado à Jucepe em equipamentos eletrônicos. Hoje, não há dinheiro para pagar as horas extras e não há explicações oficiais de para onde está indo o dinheiro arrecadado com as taxas pagas pelas empresas que continuam se recadastrando.
SILENCIO – O secretário de Administração e Reforma do Estado, Maurício Romão, por meio de sua assessoria, diz que não se pronunciará sobre as horas extras. O secretário de Justiça e Cidadania, Humberto Vieira de Melo, a quem a Jucepe está vinculada, repassa a responsabilidade ao órgão e também não fala sobre o assunto.
Por sua vez, o presidente da Junta, Marcelo Côrte Real, não quer dar entrevistas e não atende ao telefone. Mandou avisar que a função estava delegada ao diretor de Planejamento e Administração, Álvaro Krause, que não retornou as ligações. Ao longo da semana passada, o JC tentou, em vão, entrevistar alguém do Governo que pudesse se posicionar sobre o assunto.
A informação repassada pela assessoria de imprensa é que a Junta mais uma vez teria prometido aos seus funcionários que estaria pagando os três meses atrasados a partir do próximo mês.