Serasa mostra que inadimplência tem pior índice dos últimos três anos, ela cresceu 39,2% entre outubro de 2000 e outubro deste ano
Os indicadores de inadimplência também não são muito animadores para o Natal deste ano. De acordo com os números do Banco do Brasil, que concentra todas as compensações de cheques emitidos no País, dos 1,9 bilhão de documentos emitidos em 2001 até setembro, 96 milhões foram devolvidos (4,96%). A Serasa, empresa de verificação de cheques, registrou um aumento de 39,2% na inadimplência de outubro de 2001, comparado ao mesmo mês de 2000. Trata-se do maior índice dos últimos dois anos. Foram 3,6 milhões de cheques sem fundos.
No SPC Brasil, que forma a Rede de Proteção ao Crédito (RPC) em todo território brasileiro, os números assustam. O serviço registrou nada menos que 15 milhões de contas não pagas. Isso quer dizer que 20,9% da População Economicamente Ativa (PEA) pode estar com o nome sujo na praça. De acordo com os últimos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), datados de 1999, são de 71,6 milhões de pessoas o universo da PEA.
“Quinze milhões é um contingente alto. O principal motivo para isso é a falta de dinheiro. As pessoas estão comprando acima de sua capacidade de endividamento”, analisa o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Recife (CDL), Eduardo Catão. Para o presidente do SPC Brasil, Manoel Bernardo, o principal vilão desse indicador é o desemprego. “A perda do trabalho é o que mais leva ao SPC. Representa 50% dos casos.”
Para Bernardo, além da questão do emprego, a própria renda do brasileiro vem caindo. Segundo sua análise, o aumento exagerado das tarifas públicas e a redução da massa salarial, corroída pela inflação, pesam no bolso.
Essa opinião não é compartilhada pelo economista Alexandre Rands. “O poder de compra do brasileiro vem aumentando desde setembro. Isso que interessa para o Natal. Não tivemos uma queda do poder aquisitivo do brasileiro, apesar das perspectivas do ano passado para 2001 não terem sido confirmadas”, disse.
A desaceleração na economia aconteceu por vários motivos: dólar em alta, problemas na Argentina, apagão e mais recentemente os atos terroristas. Com isso, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que no ano passado era de 4,5% caiu para 2,2%, na visão dos analistas mais otimistas. “O crescimento foi zero neste trimestre”, apontou Rands. (L.S.)