A frieza dos números chega a ser cortante e não aceita argumentações contrárias. O Sport mereceu ser rebaixado. Dos 25 jogos disputados até a rodada do último final de semana, o time colheu nada menos que 16 insucessos. Destes, seis foram em plena Ilha do Retiro, alguns deles humilhantes como diante de Santos e Botafogo/SP. As três últimas derrotas em casa começaram do mesmo jeito: a equipe marcava primeiro, sufocava o adversário, mas no segundo tempo permitia a virada de placar.
No início, o time montado pelo então técnico Júlio Espinosa sempre mostrou muita garra. Mas tanta força sempre esbarrava na falta de qualidade, principalmente na hora de balançar as redes. Foi assim já no primeiro jogo contra o Fluminense (1x1). As vitórias, quando chegavam, eram a custo de muito suor. Vide o jogo contra o Grêmio, num 2x1 de parar coração, com direito a uma bola na trave de Ricardinho aos 42 da etapa final.
O pior é que as alegrias eram pequenos sopros de vida. O time vencia uma. No jogo seguinte, quando todo mundo pensava que era a hora do embalo, nova derrota. A primeira foi no dia 26 de agosto. Após uma bela atuação contra o Corinthians, na semana anterior, quando venceu de virada (2x1), mais três pontos contra o Cruzeiro eram dados como certos. Os mineiros vinham caindo pelas tabelas. O Sport ‘brincou’ de Deus e ressuscitou o adversário. Derrota por 1x0.
Daí em diante, iniciou-se a queda de Júlio Espinosa, com derrotas para Botafogo/RJ, Atlético Mineiro, Palmeiras e Santos. Mauro Fernandes assumiu em Porto Alegre, contra o Internacional. A vibração e o diálogo do novo treinador surtiram efeito e o time voltou a jogar bem e a conseguir uma vitória. A vítima foi o São Paulo, na Ilha, gol do prata da casa Fabinho, mas ganhar duas seguidas que é bom, nada.
Nem mesmo a primeira vitória fora de casa (3x2, no Goiás) foi suficiente para mandar o risco de cair para longe. Depois veio o Juventude, de Emerson Leão, que não ganhava de ninguém. O Sport fez 1x0 e cedeu o empate aos 40 minutos do segundo tempo. Mesma coisa aconteceu com o arquirival Santa Cruz, de quem não perdia em Brasileiros havia mais de 20 anos.
Inesperadamente, o time reagiu e logo fora de casa, diante de uma equipe com campanha bem superior, o Paraná (1x0). E ficou por aí mesmo. Àquela altura, os salários atrasados já mexiam demais com a cabeça dos atletas e jogar fiado ficou difícil. Os que chegaram há menos tempo sequer viram a cor do dinheiro, inclusive Mauro Fernandes.
FUNDO DO POÇO – O golpe de misericórdia foi disparado no último domingo pela equipe que mais tempo segurou a lanterna do Brasileiro. O Botafogo/SP fez o que quis, não se importou em levar um gol no início da partida e jogou o Leão no fundo do poço.