Atraso na folha dos funcionários, cortes de telefone por falta de pagamento são alguns dos fatos que retratam o caos administrativo no clube. O gramado do campo auxiliar passou vários dias sem ser aparado por um simples motivo: o cortador de grama estava quebrado. Pudera, quem fazia o serviço era uma empresa de São Paulo, por um preço muito elevado. Quem assumiu agora foi uma firma pernambucana que faz a mesma coisa, porém, mais em conta.
E não fica por aí. Há dois meses, os funcionários, revoltados com os dois meses de salários atrasados, deflagraram uma greve. Já a situação dos prestadores de serviço é pior. Alguns já estão há quatro meses sem ver dinheiro.
Para o vice-presidente da FPF, José Joaquim, que encarou uma crise administrativa semelhante em 1990, o Sport precisará de pelo menos dois anos com um bom administrador para sair da lama. “O clube precisa de uma reorganização administrativa e financeira, além de dar mais participação ao associado”, ensina.
O dirigente acredita que será preciso o Sport traçar uma linha orçamentária para o próximo ano e obedecer receitas e despesas. “Quando entrei, em 90, o clube tinha 1.200 sócios ativos. Em 94 estava com 10 mil”, conta. A receita só do corpo associado oscilava entre US$ 80 e US$ 100 mil. Vale lembrar que o time não tinha, sequer, patrocinador na camisa. “Também demos uma enxugada no quadro de funcionários. Tínhamos 120, hoje são mais de 200.”
Na administração do futebol, a qual também ficou a cargo dele, José Joaquim diz que 90% do elenco era formado por atletas pertencentes ao próprio Sport. “Era um time humilde, mas recebia em dia e tinha muita vontade de chegar”, conta.