A média de mulheres anaorgásmicas é maior entre aquelas que vivem na zona rural. Já as mulheres que estudaram sabem orientar melhor os parceiros
A única diversão de pobre é fazer sexo. Esse perverso ditado popular, que faz crer que o prazer sexual está acessível a todas as classe sociais, é outro mito sobre a sexualidade brasileira. Quanto menor o grau de cultura e escolaridade, maior é o grau de insatisfação entre as mulheres. “Cruzamos os dados sobre educação com o perfil sexual das entrevistadas e constatamos a relação direta entre os dois assuntos. Mulheres mais cultas têm autonomia para conversar com o parceiro em busca do aprimoramento do prazer”, diz Carmita Abdo. Sem informação, mulheres de baixa renda não tem sequer acesso completo a esse tipo de prazer.
“Não por acaso, nas zonas rurais os índices de ausência de orgasmo tendem a ser maiores. Uma mulher diferenciada culturalmente diz onde precisa ser tocada e vai ao médico constantemente, prevenir doenças que podem comprometer o desempenho sexual”, aponta. Ansiedade, depressão e disfunções hormonais, além de doenças sexualmente transmissíveis, estão entre as principais causas da anorgasmia. Taciana Gouveia, psicóloga e educadora da ONG S.O.S Corpo, que lida com questões relativas à saúde e sexualidade feminina, aponta que as mulheres ainda são vitimadas pela cultura machista em que crescem. O preconceito, via de regra, faz mais estragos onde a escolaridade é menor. “Elas ainda são ensinadas a crer que prazer não é uma coisa própria de mulheres. A mulher já tem uma participação forte na vida pública, mas ainda é submissa ao poder masculino na esfera privada”, polemiza.
Para ela, que discute educação sexual com mulheres do interior e das periferias, não surpreende o alto índice feminino de ausência de desejo sexual (43,9% no Estado). “Se elas ainda fazem sexo como uma obrigação conjugal, o desejo desaparece, porque ele não é uma coisa instintiva, como a fome, mas algo que precisa ser renovado e estimulado.” Os números realmente parecem se cruzar. Enquanto, segundo a pesquisa, apenas 41,7% das pernambucanas em idade sexualmente ativa possuem o segundo grau (completo ou em andamento), 50,7% da população feminina estadual nunca se masturbou. “A anorgasmia costuma ser cinco vezes mais freqüente em mulheres que nunca se masturbaram”, aponta o ginecologista Eduardo Campos Leite.
“A masturbação deixa o corpo mais apto ao prazer sexual. Ainda por questões culturais, muitas mulheres a consideram algo feio ou que gera doenças, algo próprio de pessoas desequilibradas”, lamenta a psicanalista Carmita. Recomendada por 10 entre 10 especialistas, a masturbação é mais que prazer solitário. Oferece à mulher o conhecimento necessário para que ela indique que caminhos o homem deve percorrer na cama.(B.A.)