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SEXO III
Jogos eróticos e preliminares
ainda são o melhor caminho
Tão importantes quanto o ato sexual propriamente dito, as chamadas carícias preliminares são fundamentais para que a mulher atinja o orgasmo. Essa fase essencial do jogo erótico, no entanto, costuma ser suprimida pelos casais ao passar dos anos. Resultado: a insatisfação torna-se saldo imediato de uma relação. “Verificamos que, com o tempo, as relações tendem a se tornarem muito objetivas, pobres em jogos eróticos, o que compromete a lubrificação feminina necessária ao ato sexual”, aponta o professor e doutor em ginecologia do Departamento Materno–Infantil da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Eduardo Campos Leite.
A primeira fase da resposta sexual, a excitação, lembra o médico, é fundamental: promove a ereção masculina e a lubrificação vaginal. Depois dessa fase inicial, ocorre a fase conhecida como platô, caracterizada pela exacerbação da excitação sexual. “É indispensável que se atinjam níveis máximos de excitação para que o orgasmo possa ocorrer”, diz Eduardo Leite. Para que sinais como manchas avermelhadas na face, enrijecimento do mamilo e do clitóris, dentre outros, denunciem o platô, uma média de 15 a 20 minutos de jogos eróticos é necessária para a maioria das mulheres. “Não são padrões rígidos, há relatos de mulheres, por exemplo, que conseguem um orgasmo apenas com a imaginação”, pondera o médico.
A medicina já detectou inúmeras zonas erógenas na mulher, aquelas responsáveis pela excitação. “Descobri-las depende da sensibilidade e da intimidade do casal”, diz. Para os menos sensíveis, alguns endereços importantes do corpo feminino: mamilos, pescoço, lóbulo da orelha, coxas, boca, ânus. “Todas as cavidades naturais do corpo são ricas em terminações nervosas.”
A pouca lubrificação pode estar por trás de um dos dados mais surpreendentes da pesquisa sobre o perfil sexual do brasileiro. Cerca de 20,6% das pernambucanas, segundo os dados, sentem dor durante o sexo. “A penetração para mim sempre foi sinônimo de sofrimento”, lembra a estudante R.S.J. “Outras causas podem ser doenças ligadas ao sexo”, ressalta Carmita Abdo. O polêmico ponto G, uma região supostamente localizada no terço inferior da parede vaginal anterior, que seria responsável por um orgasmo inesquecível, ainda não foi confirmado pela medicina. Homens interessados na satisfação da parceira não devem, portanto, desprezar a existência do clitóris. “Estudos sérios comprovam que 80% das mulheres têm prazer com a manipulação do clitóris, que deve ser feita na fase da excitação, antes da penetração. Há relatos, no entanto, de mulheres que experimentaram orgasmos muito intensos e múltiplos com o estímulo do que se supõe o ponto G durante a penetração. Mas não há comprovação científica”, diz o ginecologista.(B.A.)
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Jornal do Commercio
Recife - 25.11.2001 Domingo
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