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GUERRA AO TERROR II
Terror também muda a face
da imprensa norte-americana
Ao anunciar na semana passada sua proposta de estabelecer tribunais militares para estrangeiros acusados de terrorismo, a administração Bush argumentou que os responsáveis por assassinatos em massa de norte-americanos não podiam ser considerados criminosos comuns, não devendo, portanto, ser julgados em tribunais civis. “Isso é uma guerra contra o terrorismo”, disse o vice-presidente Dick Cheney para uma entusiástica platéia de advogados conservadores. “A Justiça militar deve ser usada.” Pelo plano de Bush, casos podem ser julgados em segredo, provas obtidas ilegalmente podem ser usadas e não há direito a apelação a qualquer outra instância de Justiça – mesmo em casos de pena de morte. O presidente Bush, sozinho, decidirá que presos deverão ser julgados nos tribunais militares.
Em editorial, o New York Times classificou a proposta de tribunais militares como “um sufocante desvio do processo legal”. Mas o fato é que jornalistas estão defendendo medidas cada vez mais extremas contra o terrorismo. “Os terroristas e seus aliados devem saber que doravante faremos o que for preciso para defender nosso modo de vida”, escreveu o colunista Thomas Friedman, também no New York Times. Para defender nosso modo de vida e espalhar o medo entre os terroristas, Friedman argumenta que Washington deveria contratar a máfia russa, traficantes de drogas afegãos e agentes secretos paquistaneses para localizar e assassinar Osama bin Laden e seus seguidores.
Diversos jornalistas também acham a tortura uma opção atraente na guerra contra o terrorismo. “Neste inverno de revolta, mesmo um liberal pode descobrir seus pensamentos voltados para a tortura”, escreve Jonathan Alter, colunista liberal da revista Newsweek. “Mesmo que continuemos a falar contra violações dos diretos humanos no mundo, temos que manter a mente aberta sobre certas medidas, como interrogatórios psicológicos autorizados pela Justiça.”
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Jornal do Commercio
Recife - 25.11.2001 Domingo
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