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GUERRA AO TERROR III
Guerra afeta economia de vários países árabes

Egito, Arábia Saudita e Kuwait são alguns dos países que sofrem duramente as conseqüências econômicas dos atentados do dia 11 de setembro contra os Estados Unidos

por HAMZA HENDAWI
AE/Associated Press

CAIRO – Há menos turistas visitando o Egito nos dias de hoje. As exportações de petróleo estão em baixa, assim como o mercado financeiro em geral. Os egípcios foram avisados de que tempos difíceis estavam por vir. País mais populoso entre as nações árabes e um dos principais aliados de Washington, o Egito está sofrendo as conseqüências econômicas dos atentados de 11 de setembro contra os Estados Unidos, com o turismo e outros importantes setores duramente atingidos e o risco de dezenas de milhares de pessoas entrarem para as hordas de desempregados.

Uma crise econômica de longo prazo pode ser o estopim de um conflito sócio-político nesta nação de 66,5 milhões de habitantes onde pelo menos 20% da população vive na pobreza e a maior parte luta para viver enquanto aspira a mais liberdade e direitos civis.

As demissões e os cortes significativos nos gastos do governo também poderiam exacerbar sentimentos num momento no qual muitos no Egito estão enfurecidos com o que eles interpretam como uma guerra de um Ocidente cristão contra o Islã e com a publicação de uma avalanche de casos de corrupção envolvendo ex-ministros, governadores e ex-parlamentares.

Com um vasto e crescente apoio popular a fundamentalistas islâmicos que prometem um governo mais justo e responsável e com um histórico recente de violência política, a estabilidade do Egito é vista já há algum tempo como tênue, podendo representar um ponto de convergência da segurança em todo o Oriente Médio.

Uma insurgência islâmica na década de 90 causou pelo menos 1.200 mortos e foi sufocada pelos métodos repressivos da polícia local.

O presidente Hosni Mubarak fez da economia sua principal prioridade na última década, mas seu sucesso foi limitado. Logo após os atentados contra os EUA, ele pediu aos egípcios que evitassem passar férias no exterior e que procurassem comprar produtos fabricados no país. Ele também aconselhou seus ministros e reduzir gastos e cortar custos.

“Temos de reorganizar nossas prioridades no curto prazo e redefinir algumas de nossas políticas econômicas para que possamos lidar de modo eficaz com essas condições emergenciais”, disse ele em discurso pronunciado em 11 de novembro.

Mas o Egito não está sozinho na região nesta experiência com as duras conseqüências econômicas dos atentados. Na Arábia Saudita – maior produtor e exportador de petróleo do mundo –, o número de peregrinos que normalmente visitam os santuários muçulmanos de Meca e Medina nesta época do ano diminuiu pela metade e as esperanças de um primeiro orçamento equilibrado em 20 anos foram por água abaixo.

No Kuwait, as previsões apontam para uma queda de 30% nas exportações de petróleo do ano que vem. No empobrecido Iêmen, 90% das reservas de hotéis entre novembro e fevereiro foram canceladas.

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Jornal do Commercio
Recife - 25.11.2001
Domingo