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GUERRA AO TERROR V
Acordo de rendição divide integrantes oposicionistas

O acordo de rendição causou uma divisão entre os usbeques e tadjiques que integram a Aliança do Norte. Enquanto a facção liderada por Dostum era favorável à rendição negociada da resistência taleban, os tadjiques – liderados pelo autoproclamado presidente interino do Afeganistão, Burhanuddin Rabbani – defendiam a tomada da cidade à força, o que poderia provocar um banho de sangue.

Essa divisão ainda se mantinha ontem. O encarregado das Relações Exteriores da Aliança do Norte, Abdullah Abdullah, afirmou que os soldados da coalizão multiétnica estavam separando os combatentes talebans afegãos dos estrangeiros para libertar os primeiros e submeter os demais à prisão de acordo com o direito de guerra internacional.

O mais importante general tadjique envolvido na tomada de Kunduz, Mohamed Daoud, tinha uma opinião diferente sobre qual deveria ser o destino dos estrangeiros. “Não permitiremos nenhuma agressão aos nossos irmãos afegãos que se renderem e será permitido que eles voltem para suas casas; já os estrangeiros, devem ser exterminados, pois são invasores do Afeganistão”, declarou.

Os estrangeiros são árabes, paquistaneses e chechenos, muitos deles vinculados à organização terrorista Al-Qaeda, comandada pelo milionário saudita Osama bin Laden.

Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha se manifestaram contrários a qualquer possível acordo de rendição que garantisse liberdade a esses combatentes.

Em princípio, os estrangeiros – qualificados pela Aliança do Norte de mercenários – resistiram à disposição dos talebans afegãos de se render em Kunduz.

Outros aproximadamente dois mil talebans que estavam entrincheirados nas colinas de Maidar Sharar, nos arredores da capital afegã, Cabul, também se renderam ontem após um acordo acertado entre os comandantes locais do Taleban, mulá Haji Mohamad, e da Aliança do Norte, maulana Abdul Fronsitjai.

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Jornal do Commercio
Recife - 25.11.2001
Domingo