O mistério que encobre as atribuições genéricas de Edgar Moury Fernandes – especificadas apenas pelas necessidades do governador – está em cada detalhe do espaço reservado a ele no Palácio das Princesas. Qualquer outro secretário talvez se sentisse um “joão ninguém” se fosse jogado pelo governador para trabalhar no cubículo reservado a Edgar.
A sala é apertada, mais parece um cômodo mofento de repartição pública. Daquelas reservadas aos que já caíram em desuso. Mas é ali que reina a majestade do “sombra do Poder”. Talvez seja tudo milimetricamente pensado para camuflar o tamanho que Edgar tem, de fato, no Governo Jarbas. Um secretário sem pasta mas que controla todas as outras secretarias.
Na equipe do “sombra” figuram apenas três funcionários. Nem as duas secretárias que lhes prestam serviço dividem o mesmo espaço, ao mesmo tempo. Uma fica pela manhã e outra à tarde.
Se é um contigente pequeno, saiba que poderia ser até dispensável. Para quem tem o poder de extrapolar o cubículo do primeiro andar do Palácio e sair do gabinete – distante a três portas do seu – falando pelo chefe do Executivo. “A minha secretaria sou eu”. Disse tudo, Edgar.
O “sombra do Poder” jura que é por formação. Mas o estilo discreto e avesso a badalações certamente é ditado, também, pelo mistério que envolve suas atribuições no Governo. Só é possível encontrar Edgar Moury, perdendo a pose, quando fevereiro anuncia os clarins de Momo.
“Sou louco por Carnaval”, confessa, radiante, exibindo a miniatura do bloco que criou quando completou meio século de vida.
A cautela e a discrição chegam antes da quarta-feira de cinzas, quando a realidade veste Edgar Moury com a fantasia de o “sombra do Poder”.